Choque Cardiogênico: Manejo Inicial na Emergência

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 53 anos, tabagista, sem histórico prévio de hipertensão, é trazida à sala de emergência com queixa súbita de dispneia intensa, tosse produtiva e desconforto torácico. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 90x60 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, saturação de oxigênio de 85% em ar ambiente, estertores pulmonares bilaterais e edema periférico. Com base no caso clínico, qual é a conduta inicial mais apropriada para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Administração imediata de nitroglicerina sublingual e furosemida.
  2. B) Início de terapia fibrinolítica.
  3. C) Estabilização hemodinâmica com inotrópicos.
  4. D) Realização de angioplastia coronariana primária.
  5. E) Prescrição de betabloqueadores orais.

Pérola Clínica

Paciente com dispneia súbita, sinais de congestão pulmonar e choque (hipotensão + hipoperfusão) → Choque Cardiogênico → Estabilização hemodinâmica com inotrópicos.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dispneia súbita, tosse, desconforto torácico, associado a hipotensão, taquicardia, hipoxemia grave, estertores pulmonares e edema periférico, sugere fortemente um quadro de choque cardiogênico por insuficiência cardíaca aguda descompensada. Nesses casos, a prioridade é a estabilização hemodinâmica com suporte inotrópico para melhorar a perfusão tecidual.

Contexto Educacional

O choque cardiogênico é uma síndrome de hipoperfusão tecidual causada por disfunção cardíaca primária, resultando em débito cardíaco inadequado para as necessidades metabólicas do corpo. É uma emergência médica com alta mortalidade. O quadro clínico típico inclui hipotensão, taquicardia, sinais de congestão pulmonar (dispneia, estertores, edema agudo de pulmão) e sinais de hipoperfusão periférica (extremidades frias, oligúria, alteração do nível de consciência). A fisiopatologia envolve uma falha na bomba cardíaca, que pode ser secundária a um infarto agudo do miocárdio extenso, insuficiência cardíaca descompensada, miocardite, ou valvopatias agudas. O diagnóstico é clínico, mas exames complementares como ECG, radiografia de tórax, ecocardiograma e biomarcadores cardíacos são essenciais para identificar a causa e guiar o tratamento. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco cardiovascular e apresentação súbita de dispneia e instabilidade hemodinâmica. A conduta inicial no choque cardiogênico visa estabilizar o paciente e restaurar a perfusão tecidual. Isso inclui suporte ventilatório (oxigenoterapia, ventilação não invasiva ou invasiva), e, crucialmente, o uso de agentes inotrópicos (como dobutamina ou noradrenalina, dependendo da pressão arterial) para aumentar a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco. Vasodilatadores e diuréticos devem ser usados com extrema cautela ou evitados em pacientes hipotensos, pois podem agravar o choque. O tratamento definitivo dependerá da causa subjacente, podendo incluir revascularização coronariana, cirurgia valvular ou transplante cardíaco.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para choque cardiogênico?

O choque cardiogênico é caracterizado por hipotensão persistente (PAS < 90 mmHg ou queda > 30 mmHg da basal), sinais de hipoperfusão tecidual (alteração do estado mental, oligúria, pele fria e pegajosa, lactato elevado) e evidência de disfunção cardíaca.

Por que inotrópicos são a conduta inicial mais apropriada neste caso?

Inotrópicos aumentam a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco, melhorando a pressão arterial e a perfusão dos órgãos vitais em pacientes com choque cardiogênico e hipotensão, onde a função de bomba está comprometida.

Quais são as causas mais comuns de choque cardiogênico?

As causas mais comuns incluem infarto agudo do miocárdio com disfunção ventricular esquerda grave, insuficiência cardíaca descompensada, miocardite aguda, valvopatias agudas e arritmias graves.

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