Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Um paciente de 54 anos de idade, com antecedente de miocardiopatia isquêmica e fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 35%, deu entrada no serviço de emergência devido à queda do estado geral e à dispneia progressiva. Ao exame físico, encontrava-se em mau estado geral, sonolento, com pressão arterial de 85 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 124 bpm, frequência respiratória de 26 ipm, saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente, tempo de enchimento capilar de 4 s e refluxo hepatojugular presente. Há estertores nos 2/3 inferiores de ambos os pulmões e presença de galope de terceira bulha na ausculta cardíaca. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Choque cardiogênico perfil C = Congestão + Hipoperfusão. PA ↓, FC ↑, estertores, refluxo hepatojugular, TPC ↑.
O paciente apresenta sinais claros de hipoperfusão (PA baixa, sonolência, TPC prolongado) e congestão (dispneia, estertores, refluxo hepatojugular, galope de S3), caracterizando o perfil hemodinâmico C do choque cardiogênico, que reflete um coração 'frio e úmido'.
O choque cardiogênico é uma síndrome de hipoperfusão tecidual causada por disfunção cardíaca primária, resultando em débito cardíaco inadequado para as necessidades metabólicas. É uma emergência médica com alta mortalidade, frequentemente associada a infarto agudo do miocárdio ou, como no caso, descompensação de miocardiopatia isquêmica pré-existente. A classificação hemodinâmica de Forrester ou a mais simples classificação clínica de Stevenson (perfis A, B, L, C) auxiliam no manejo. O perfil C (frio e úmido) indica hipoperfusão (frio) e congestão (úmido), manifestando-se com hipotensão, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, sonolência, dispneia, estertores pulmonares e refluxo hepatojugular. A fração de ejeção reduzida é um fator de risco importante. O tratamento visa restaurar a perfusão tecidual e otimizar a função cardíaca. Isso pode incluir oxigenoterapia, diuréticos para reduzir a congestão (com cautela para não piorar a hipoperfusão), inotrópicos (ex: dobutamina) para aumentar a contratilidade e, se necessário, vasopressores (ex: noradrenalina) para manter a pressão arterial. Em casos refratários, suporte circulatório mecânico pode ser considerado.
O perfil C (frio e úmido) é caracterizado por sinais de hipoperfusão periférica (ex: hipotensão, extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado) e sinais de congestão pulmonar e sistêmica (ex: dispneia, estertores, refluxo hepatojugular).
Resulta de uma falha grave na função de bomba do coração, levando a baixo débito cardíaco (hipoperfusão) e aumento das pressões de enchimento (congestão), com alta mortalidade.
O manejo inicial envolve otimização da pré-carga (com cautela), uso de inotrópicos e/ou vasopressores, e consideração de suporte circulatório mecânico, visando melhorar a perfusão e reduzir a congestão.
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