Choque Cardiogênico: Perfil Hemodinâmico C e Manejo

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 49 anos, com antecedente de miocardiopatia isquêmica (fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 35%) adentrou no Pronto socorro do HEDA devido à queda do estado geral e à dispneia progressiva. Ao exame físico, sonolento, com pressão arterial de 88 x 55 mmHg, frequência cardíaca de 128 bpm, frequência respiratória de 24 ipm, Sat. O2 85% em ar ambiente. Tem tempo de enchimento capilar de 4 s e refluxo hepatojugular presente. Há estertores nos 2/3 inferiores de ambos os pulmões e presença de galope de terceira bulha na ausculta cardíaca. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de provável choque cardiogênico, com perfil clínico-hemodinâmico C.
  2. B) Trata-se de provável choque obstrutivo, com classificação de Forrester II.
  3. C) Trata-se de provável choque obstrutivo, com classificação de Forrester III.
  4. D) Trata-se de provável choque cardiogênico, com perfil clínico-hemodinâmico B.
  5. E) Trata-se de provável choque cardiogênico, com perfil clínico-hemodinâmico L.

Pérola Clínica

Hipotensão + sinais de congestão (estertores, RHJ) + hipoperfusão (sonolência, TPC >3s) → Choque cardiogênico, perfil C.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de baixo débito cardíaco (hipotensão, sonolência, TPC prolongado) e sinais de congestão pulmonar e sistêmica (dispneia, estertores, refluxo hepatojugular, galope B3). Essa combinação caracteriza o choque cardiogênico com perfil clínico-hemodinâmico C (frio e úmido), indicando hipoperfusão e congestão.

Contexto Educacional

O choque cardiogênico é uma síndrome de hipoperfusão tecidual causada por disfunção cardíaca primária, resultando em débito cardíaco inadequado para as necessidades metabólicas. É uma emergência médica com alta mortalidade, frequentemente associada a infarto agudo do miocárdio, miocardiopatias descompensadas ou valvulopatias graves. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de hipotensão persistente (PAS < 90 mmHg) e sinais de hipoperfusão (alteração do estado mental, extremidades frias, oligúria, lactato elevado), na ausência de hipovolemia. A classificação de Forrester ou o perfil clínico-hemodinâmico (quente/frio, seco/úmido) auxiliam na estratificação e direcionamento terapêutico. O perfil C (frio e úmido) indica hipoperfusão e congestão. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente, otimizar a perfusão e reduzir a congestão. Inclui suporte ventilatório, uso de vasopressores (noradrenalina) para manter a pressão arterial, inotrópicos (dobutamina, milrinona) para melhorar a contratilidade e diuréticos para a congestão. Terapias avançadas como balão intra-aórtico ou ECMO podem ser necessárias. O manejo da causa subjacente é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de hipoperfusão no choque cardiogênico?

Sinais de hipoperfusão incluem hipotensão, extremidades frias e úmidas, tempo de enchimento capilar prolongado (>3s), alteração do estado mental (sonolência, confusão) e oligúria.

O que significa o perfil clínico-hemodinâmico C (frio e úmido) no choque cardiogênico?

O perfil C indica que o paciente apresenta tanto hipoperfusão (frio) quanto congestão (úmido), sendo o mais grave e associado a pior prognóstico na insuficiência cardíaca descompensada.

Qual a importância do galope de terceira bulha (B3) na insuficiência cardíaca?

A presença de galope de B3 é um sinal de disfunção ventricular esquerda grave e sobrecarga de volume, sendo um achado comum em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada e choque cardiogênico.

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