Choque Cardiogênico no IAM: Uso de Noradrenalina

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Homem, 55 anos de idade, previamente saudável, chega ao serviço de emergência 60 min após início de dor torácica anginosa típica. Eletrocardiograma: supra de ST em parede anterior. Exame físico: PA = 70x45 mmHg, FC = 110 bpm, extremidades frias, tempo de enchimento capilar = 6 segundos. Enquanto se organiza a transferência imediata para angioplastia primária, qual é a droga vasoativa mais adequada para restabelecer a pressão arterial e a perfusão tecidual neste cenário?

Alternativas

  1. A) Noradrenalina.
  2. B) Dobutamina.
  3. C) Dopamina.
  4. D) Vasopressina.

Pérola Clínica

IAM com supra + Hipotensão/Má perfusão = Choque Cardiogênico → Noradrenalina inicial.

Resumo-Chave

No choque cardiogênico grave com hipotensão profunda, a noradrenalina é a droga de escolha para manter a pressão de perfusão coronariana e sistêmica imediata.

Contexto Educacional

O choque cardiogênico é uma complicação grave do infarto agudo do miocárdio, ocorrendo em cerca de 5-10% dos casos e apresentando alta mortalidade. Caracteriza-se por um estado de baixo débito cardíaco resultando em hipóxia tecidual sistêmica, apesar de volume intravascular adequado. O manejo farmacológico visa otimizar a hemodinâmica para prevenir a falência de múltiplos órgãos. A noradrenalina destaca-se como o vasopressor de primeira linha por sua eficácia em elevar a pressão arterial sistêmica com menor risco de arritmias em comparação à dopamina, sendo essencial para manter a perfusão coronariana durante o transporte para intervenção coronariana percutânea.

Perguntas Frequentes

Por que usar noradrenalina e não dobutamina inicialmente?

No cenário de choque cardiogênico com hipotensão severa (PAS < 80-90 mmHg), a prioridade imediata é restaurar a pressão de perfusão para órgãos vitais e para as próprias artérias coronárias. A dobutamina, embora seja um inotrópico potente, possui efeitos beta-2 adrenérgicos que causam vasodilatação periférica, podendo reduzir ainda mais a pressão arterial em pacientes já hipotensos. Portanto, a noradrenalina é usada primeiro para elevar a PA até um nível seguro.

Qual o alvo da terapia vasoativa no choque cardiogênico?

O objetivo principal é manter uma pressão arterial média (PAM) adequada (geralmente > 65 mmHg) para garantir a perfusão tecidual enquanto se prepara a terapia definitiva (angioplastia primária). Além da pressão, monitora-se a melhora dos sinais de perfusão, como o tempo de enchimento capilar, o débito urinário e os níveis de lactato sérico. A estabilização hemodinâmica é uma ponte crítica para a revascularização.

Quais as complicações do uso de noradrenalina no IAM?

Embora necessária para manter a perfusão, a noradrenalina aumenta a pós-carga ventricular esquerda e o consumo de oxigênio pelo miocárdio (MVO2) devido ao seu efeito alfa-1 e beta-1. Isso pode, teoricamente, agravar a isquemia em uma área de infarto. Por isso, a dose deve ser a mínima necessária para atingir os alvos pressóricos, e a prioridade absoluta deve ser a transferência rápida para a sala de hemodinâmica.

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