SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Paciente de 80 anos foi encontrado em rua pública, e testemunhas disseram que ele estava caminhando quando subitamente caiu no chão, perdendo a consciência. No hospital, foi realizado eletrocardiograma mostrado a seguir. Ao exame físico, sua pressão arterial era de 80x40mmHg, havia estertores pulmonares em todos os segmentos pulmonares com turgência jugular; sua glicemia estava normal. Durante seu atendimento, o paciente demonstrou um ritmo cardíaco no monitor. Com base nos conhecimentos clínicos e nos eletrocardiogramas apresentados, julgue o item a seguir.O uso de balão intra-aórtico bem como o uso de amiodarona melhoram o prognóstico desse paciente.
Balão intra-aórtico no choque cardiogênico não reduz mortalidade (SHOCK II Trial) e amiodarona é inotrópico negativo.
O tratamento do choque cardiogênico foca na revascularização e suporte inotrópico; o IABP não demonstrou benefício em sobrevida global em estudos robustos.
O choque cardiogênico representa o espectro mais grave da insuficiência cardíaca aguda, caracterizado por baixo débito cardíaco e evidências de hipoperfusão tecidual apesar de volume intravascular adequado. Clinicamente, manifesta-se com hipotensão, turgência jugular e congestão pulmonar (estertores), indicando falência do ventrículo esquerdo. A evidência científica atual, consolidada pelo IABP-SHOCK II Trial, mudou o paradigma do uso de dispositivos de assistência. O balão intra-aórtico, que atua aumentando a perfusão coronariana diastólica e reduzindo a pós-carga, não se traduziu em ganho de sobrevida. Da mesma forma, o uso de antiarrítmicos como a amiodarona deve ser cauteloso devido ao risco de depressão miocárdica. O foco terapêutico moderno reside na estabilização hemodinâmica farmacológica e, principalmente, na resolução da causa base (revascularização).
Não. O estudo SHOCK II (IABP-SHOCK II Trial) demonstrou que o uso rotineiro do balão intra-aórtico em pacientes com choque cardiogênico complicando o infarto agudo do miocárdio não reduziu a mortalidade em 30 dias, nem em 6 anos de seguimento, quando comparado ao tratamento clínico padrão. Seu uso hoje é restrito a complicações mecânicas específicas ou como ponte para outras terapias.
A amiodarona possui propriedades de bloqueio beta-adrenérgico e de canais de cálcio, o que confere um efeito inotrópico negativo. Em um paciente com choque cardiogênico e falência de bomba grave (evidenciada por estertores e turgência jugular), a redução adicional da contratilidade pode agravar a instabilidade hemodinâmica.
A prioridade absoluta é a revascularização precoce da artéria culpada (angioplastia primária ou cirurgia). Associado a isso, utiliza-se suporte inotrópico (como dobutamina) e vasopressores (como noradrenalina) para manter a perfusão orgânica enquanto se aguarda a recuperação miocárdica.
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