Choque Anafilático: Conduta de Emergência e Adrenalina

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 27 anos chega ao setor de Emergência trazido pelo SAMU relatando desmaio após ingestão de torta com recheio de camarão. Antes de perder os sentidos, relatou ao acompanhante cólicas abdominais. Ao exame físico: FC:122bpm; PA:80X40mmHg; FR:32ipm; SpO2:91%; Glasgow: 12; Pupilas isocóricas e reativas. Está hidratada, descorada, acianótica, anictérica, com lesões urticariformes difusas, além de angioedema em pálpebras, lábios e língua. À ausculta respiratória, murmúrios vesiculares reduzidos globalmente, com estridor audível bilateralmente. Ausculta cardíaca sem alterações, abdome plano, flácido e responsivo à palpação profunda, com ruídos hidroaéreos aumentados. Assinale a alternativa com melhor conduta a indicar neste momento.

Alternativas

  1. A) Aplicar anti-histamínico H2 via endovenosa e agonista beta-2 adrenérgico via inalatória.
  2. B) Administrar glicocorticoide via endovenosa e adrenalina por via inalatória.
  3. C) Aplicar adrenalina via intramuscular e preparar material para intubação precoce.
  4. D) Administrar adrenalina via endovenosa e agonista beta-2 adrenérgico via inalatória.

Pérola Clínica

Choque anafilático com comprometimento via aérea → Adrenalina IM + preparar intubação precoce.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave e potencialmente fatal. A adrenalina intramuscular é a primeira e mais importante medida terapêutica. Em casos de angioedema de vias aéreas superiores ou estridor, a intubação orotraqueal precoce é crucial para garantir a permeabilidade da via aérea antes que o edema progrida e dificulte o procedimento.

Contexto Educacional

O choque anafilático é uma emergência médica grave, caracterizada por uma reação de hipersensibilidade sistêmica e rápida, que pode levar à morte se não tratada prontamente. É crucial que estudantes e profissionais de medicina reconheçam os sinais e sintomas rapidamente, que incluem urticária, angioedema, broncoespasmo, hipotensão e sintomas gastrointestinais, frequentemente após exposição a um alérgeno conhecido. A incidência de anafilaxia tem aumentado, tornando seu manejo um conhecimento indispensável. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios, como histamina e leucotrienos, por mastócitos e basófilos, resultando em vasodilatação sistêmica, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e espasmo da musculatura lisa. A adrenalina é o tratamento de escolha por ser um agonista alfa e beta-adrenérgico, revertendo esses efeitos: vasoconstrição, broncodilatação e estabilização de mastócitos. A via intramuscular é preferencial para absorção rápida. O manejo inicial foca na estabilização do paciente, incluindo a administração de adrenalina, suporte ventilatório e reposição volêmica. A intubação precoce é uma medida salvadora em casos de comprometimento das vias aéreas, prevenindo a obstrução total. Após a estabilização, o paciente deve ser monitorado para reações bifásicas e receber alta com um plano de ação e auto-injetor de adrenalina, se indicado.

Perguntas Frequentes

Qual é a primeira e mais importante medida no tratamento do choque anafilático?

A primeira e mais importante medida é a administração imediata de adrenalina por via intramuscular. Ela atua rapidamente revertendo a broncoconstrição, a vasodilatação e o edema, salvando a vida do paciente.

Quando se deve considerar a intubação precoce em um paciente com anafilaxia?

A intubação precoce deve ser considerada em pacientes com anafilaxia que apresentam sinais de comprometimento das vias aéreas superiores, como angioedema de lábios, língua ou orofaringe, estridor ou dispneia progressiva, pois o edema pode rapidamente dificultar ou impossibilitar a intubação.

Por que anti-histamínicos e corticoides não são a primeira linha de tratamento na anafilaxia?

Anti-histamínicos e corticoides podem ser úteis como terapias adjuvantes para sintomas cutâneos e para prevenir reações bifásicas, respectivamente. No entanto, eles não atuam na reversão dos sintomas cardiovasculares e respiratórios graves da anafilaxia e não substituem a adrenalina como tratamento de primeira linha.

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