Choque Anafilático: Padrão Hemodinâmico e Fisiopatologia

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente com história de alergia a camarão é submetida a uma tomografia com contraste para investigação de uma massa anexial à esquerda. Logo no início do exame a paciente fica agitada e reclama de falta de ar. Ao exame físico a paciente apresentava intenso rash cutâneo, edema palpebral e labial, frequência cardíaca de 130 bpm e pressão arterial de 80 x 45 mmHg. À monitoração hemodinâmica, qual dos seguintes padrões você esperaria encontrar?

Alternativas

  1. A) Choque obstrutivo: débito cardíaco baixo e resistência vascular periférica alta.
  2. B) Choque cardiogênico: débito cardíaco baixo e resistência vascular periférica alta.
  3. C) Choque hipovolêmico: débito cardíaco baixo e resistência vascular periférica alta.
  4. D) Choque distributivo: débito cardíaco alto e resistência vascular periférica baixa.

Pérola Clínica

Choque anafilático = Choque distributivo → ↓ RVP, ↑ DC (inicialmente), ↓ PA.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave que leva à vasodilatação generalizada e aumento da permeabilidade capilar. Isso resulta em choque distributivo, caracterizado por resistência vascular periférica (RVP) baixa e, inicialmente, um débito cardíaco (DC) compensatoriamente alto, que pode cair se não tratado.

Contexto Educacional

O choque anafilático é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que ocorre após a exposição a um alérgeno. É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos. Os agentes mais comuns incluem alimentos (camarão, amendoim), medicamentos (antibióticos, AINEs) e picadas de insetos. A fisiopatologia envolve a liberação de mediadores vasoativos e inflamatórios (como histamina, triptase, leucotrienos) por mastócitos e basófilos. Esses mediadores causam vasodilatação generalizada, aumento da permeabilidade capilar e broncoespasmo. Hemodinamicamente, isso se manifesta como choque distributivo, caracterizado por uma diminuição acentuada da resistência vascular periférica (RVP) e, inicialmente, um débito cardíaco (DC) compensatoriamente elevado, que pode se tornar baixo se o choque progredir sem tratamento. O diagnóstico é clínico e o tratamento de primeira linha é a epinefrina intramuscular, que atua como vasoconstritor, broncodilatador e estabilizador de mastócitos. Fluidos intravenosos são essenciais para corrigir a hipovolemia relativa. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para prevenir desfechos fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do choque anafilático?

Os sinais incluem urticária, angioedema, broncoespasmo, hipotensão, taquicardia, tontura e, em casos graves, perda de consciência.

Qual a conduta inicial no manejo do choque anafilático?

A conduta inicial é a administração intramuscular de epinefrina, seguida de suporte ventilatório, fluidos intravenosos e, se necessário, anti-histamínicos e corticosteroides.

Como a anafilaxia leva ao choque distributivo?

A liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, leucotrienos) causa vasodilatação sistêmica e aumento da permeabilidade capilar, resultando em extravasamento de fluido para o espaço extravascular e diminuição da resistência vascular periférica.

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