Chlamydia trachomatis em Lactentes: Pneumonia e Conjuntivite

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2016

Enunciado

Lactante de 3 meses, nascido de parto vaginal após gestação a termo e sem complicações, apresenta tosse e "respiração rápida" há dois dias. A mãe refere que a criança vem apresentando, há uma semana, quadro de congestão nasal e secreção ocular aquosa, mas sem febre ou hiporexia. Ao exame físico, apresenta temperatura axilar de 37,4°C e frequência respiratória de 44 imp, além de congestão nasal, rinorreia clara, conjuntivite bilateral e secreção aquosa no olho direito. A ausculta pulmonar revela estertores crepitantes e sibilos esparsos. Baseado nesse quadro, conclui-se que o agente etiológico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Vírus sincicial respiratório.
  2. B) Streptococcus pneumoniae.
  3. C) Rinovírus.
  4. D) Chlamydia trachomatis.

Pérola Clínica

Lactente < 6m, tosse, sibilos, conjuntivite, afebril → Chlamydia trachomatis.

Resumo-Chave

O quadro de lactente jovem com tosse, sibilos, conjuntivite e ausência de febre, com início insidioso, é altamente sugestivo de infecção por Chlamydia trachomatis. Esta bactéria causa uma pneumonia atípica e conjuntivite neonatal, frequentemente transmitida durante o parto.

Contexto Educacional

A infecção por Chlamydia trachomatis em lactentes é uma condição importante a ser reconhecida, especialmente em neonatos e lactentes jovens. A transmissão ocorre verticalmente durante o parto vaginal, se a mãe estiver infectada. A apresentação clínica clássica inclui conjuntivite neonatal (geralmente 5-14 dias após o nascimento) e pneumonia atípica, que se manifesta mais tardiamente, entre 1 e 3 meses de idade. A pneumonia por Chlamydia é caracterizada por um início insidioso, tosse persistente (muitas vezes paroxística, tipo coqueluchoide), taquipneia, sibilos e crepitantes à ausculta, mas notavelmente, a febre é incomum. A presença concomitante de conjuntivite é uma forte pista diagnóstica. É crucial diferenciar de outras causas de bronquiolite, como o VSR, que tipicamente cursam com febre e um quadro mais agudo. O tratamento é feito com macrolídeos, como a eritromicina, e é importante tratar a mãe e o parceiro para evitar reinfecções. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são essenciais para prevenir complicações e garantir a recuperação do lactente.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes?

A pneumonia por Chlamydia trachomatis geralmente se manifesta em lactentes de 1 a 3 meses com tosse (muitas vezes coqueluchoide), taquipneia, sibilos e crepitantes, mas tipicamente sem febre. Frequentemente é acompanhada de conjuntivite.

Como a Chlamydia trachomatis é transmitida para o lactente?

A transmissão ocorre verticalmente, da mãe para o filho, durante o parto vaginal, se a mãe tiver uma infecção cervical não tratada.

Qual o tratamento para a infecção por Chlamydia trachomatis em lactentes?

O tratamento de escolha é a eritromicina oral por 10 a 14 dias. Azitromicina é uma alternativa. É importante tratar a mãe e o parceiro sexual para prevenir reinfecção.

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