CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
Com relação ao diagnóstico laboratorial da infecção ocular causada por Chlamydia tracomatis é correto afirmar que:
Fluoresceína pré-coleta → Falso-positivo na imunofluorescência direta para Chlamydia.
O diagnóstico de clamídia ocular pode ser feito por citologia ou imunofluorescência. Substâncias fluorescentes externas invalidam o teste de imunofluorescência direta por interferência óptica.
A infecção ocular por Chlamydia trachomatis pode se manifestar como conjuntivite de inclusão no adulto ou tracoma. O diagnóstico laboratorial preciso é fundamental para diferenciar de conjuntivites virais ou outras bacterianas. A coleta deve ser feita por raspado rigoroso da conjuntiva tarsal para obter células epiteliais, onde o patógeno reside. É crucial que o examinador evite o uso de qualquer colírio diagnóstico (como fluoresceína ou rosa bengala) antes da coleta para IFD. A sorologia (ELISA) tem valor limitado em infecções oculares localizadas, pois não distingue infecção atual de pregressa e apresenta baixa sensibilidade para quadros puramente oculares.
A fluoresceína é um corante que emite fluorescência sob luz ultravioleta. O teste de imunofluorescência direta (IFD) utiliza anticorpos marcados com fluorocromos para detectar antígenos da Chlamydia. Se a fluoresceína for aplicada antes da coleta, o corante residual no raspado conjuntival pode brilhar sob o microscópio, gerando resultados falso-positivos ou dificultando a interpretação.
No raspado conjuntival corado pelo método de Giemsa, a presença de corpos de inclusão intracitoplasmáticos basofílicos em células epiteliais é patognomônica. Além disso, observa-se um infiltrado inflamatório misto com neutrófilos, linfócitos e, por vezes, células de Leber (macrófagos grandes com restos celulares), que não excluem o diagnóstico, mas o reforçam.
Atualmente, os testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT), como o PCR, são considerados os mais sensíveis e específicos para o diagnóstico de Chlamydia trachomatis. No entanto, a imunofluorescência direta e a citologia ainda são discutidas em contextos acadêmicos e de residência devido ao seu valor histórico e baixo custo em certas regiões.
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