INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma adolescente com 18 anos de idade chega à Unidade Básica de Saúde com queixa de sinusorragia, dispareunia e corrimento amarelado sem odor e sem prurido. A paciente nega outras queixas. Ao realizar exame físico, os resultados foram os seguintes: PA = 120 x 75 mmHg, pulso = 70 bpm, temperatura axilar = 36,5 °C. Seu abdome está plano, flácido e indolor à palpação. Em exame especular, percebe-se corrimento amarelado, sem bolhas e sem grumos presentes na vagina e no orifício cervical externo, colo uterino sangrante ao toque e doloroso à mobilização. Seu pH vaginal está próximo de 4,0 e o teste de Whiff deu negativo. Qual é o provável agente etiológico do quadro clínico apresentado por essa adolescente?
Sinusorragia + dispareunia + corrimento amarelado + colo friável/doloroso + Whiff negativo → Chlamydia trachomatis.
A Chlamydia trachomatis é uma causa comum de cervicite mucopurulenta em adolescentes e mulheres jovens, manifestando-se com sinusorragia, dispareunia e corrimento. A ausência de odor fétido e pH vaginal normal ajudam a diferenciá-la de outras ISTs comuns.
A Chlamydia trachomatis é a infecção sexualmente transmissível (IST) bacteriana mais comum globalmente, com alta prevalência em adolescentes e adultos jovens. Em mulheres, a infecção frequentemente cursa de forma assintomática, o que dificulta o diagnóstico e favorece a transmissão e o desenvolvimento de complicações a longo prazo. Quando sintomática, a Chlamydia pode causar cervicite, uretrite e, em casos mais graves, doença inflamatória pélvica (DIP), que pode levar a infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. A sinusorragia (sangramento pós-coito) e a dispareunia (dor durante a relação sexual) são sintomas importantes que sugerem cervicite. O quadro clínico apresentado pela adolescente, com sinusorragia, dispareunia, corrimento amarelado sem odor e sem prurido, associado a um colo uterino sangrante ao toque e doloroso à mobilização (sinais de cervicite mucopurulenta), pH vaginal próximo de 4,0 e teste de Whiff negativo, é altamente sugestivo de infecção por Chlamydia trachomatis. A ausência de bolhas e grumos, odor fétido e pH vaginal alterado ajuda a excluir outras causas comuns de corrimento, como tricomoníase, vaginose bacteriana e candidíase. O diagnóstico definitivo é feito por testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAATs) em amostras cervicais ou urinárias. O tratamento da infecção por Chlamydia trachomatis é fundamental para prevenir complicações e interromper a cadeia de transmissão. O regime recomendado inclui azitromicina em dose única ou doxiciclina por 7 dias. É crucial tratar os parceiros sexuais para evitar a reinfecção e aconselhar sobre práticas sexuais seguras. O rastreamento regular em populações de risco, como adolescentes sexualmente ativas, é uma estratégia eficaz de saúde pública para controlar a disseminação da infecção e suas sequelas.
Em mulheres, a infecção por Chlamydia trachomatis pode ser assintomática em até 70% dos casos. Quando sintomática, pode causar cervicite (com corrimento mucopurulento, sangramento pós-coito ou intermenstrual, dispareunia), uretrite (disúria, polaciúria) e, se não tratada, evoluir para doença inflamatória pélvica (DIP) com dor pélvica crônica e infertilidade.
A Chlamydia geralmente causa um corrimento amarelado ou mucopurulento, sem odor fétido e com pH vaginal normal (<4.5), e teste de Whiff negativo. Trichomonas vaginalis causa corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com odor fétido, pH >4.5 e Whiff positivo. Gardnerella vaginalis (vaginose bacteriana) causa corrimento branco-acinzentado, homogêneo, com odor de peixe (Whiff positivo) e pH >4.5. Candida albicans causa corrimento branco, grumoso, com prurido intenso e pH normal.
O rastreamento de Chlamydia em adolescentes sexualmente ativas é crucial devido à alta prevalência da infecção nessa faixa etária e ao fato de ser frequentemente assintomática. A infecção não tratada pode levar a complicações graves como doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica, impactando a saúde reprodutiva futura.
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