Chlamydia Trachomatis: Diagnóstico e Tratamento da Cervicite

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 28 anos, G2C2, utiliza pílula anticoncepcional como método contraceptivo (contendo etinilestradiol 30 mcg + drospirenona 3 mg). O último parto foi há 2 anos. Está separada do marido. Não tem companheiro fixo. Não usa preservativo. Refere último coito há 30 dias. Vem à consulta ginecológica queixando-se de corrimento claro, pequena quantidade, sem odor fétido. Refere disúria moderada. Exame especular: vulva e vagina sem alterações. Conteúdo vaginal claro, aspecto mucoide. Colo com ectopia e friabilidade com sangramento fácil da mucosa cervical. Toque: colo friável, corpo uterino em anteversoflexão, tamanho normal. Anexos e paramétrios sem alterações. Nesse caso, qual a hipótese diagnóstica, o método diagnóstico e a conduta, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Cancro mole – bacterioscopia corada pelo Gram e identificação de morfotipos de H. ducreyi – ciprofloxacina 500 mg via oral, de 12 em 12 horas, por 3 dias.
  2. B) Sífilis – VDRL e teste treponêmico – penicilina benzatina 2,4 milhões UI intramuscular (sendo 1,2 milhões UI em cada glúteo), dose única.
  3. C) Neisseria gonorrhoeae – cultura em meio de Thayer-Martin – ceftriaxona 500 mg IM, dose única.
  4. D) Chlamydia Trachomatis – captura híbrida para clamídia – doxiciclina 100 mg via oral, de 12 em 12 horas, por 7 dias.
  5. E) Micoplasma – cultura para micoplasma – metronidazol 2 gramas via oral, dose única.

Pérola Clínica

Mulher jovem, vida sexual ativa, corrimento mucoide, disúria e colo friável → Suspeitar de Chlamydia trachomatis.

Resumo-Chave

A cervicite por Chlamydia trachomatis é frequentemente assintomática ou apresenta sintomas inespecíficos como corrimento mucoide, disúria e friabilidade cervical. A paciente, com múltiplos parceiros e sem uso de preservativo, tem alto risco para ISTs. A captura híbrida é um método diagnóstico sensível e a doxiciclina é o tratamento de escolha.

Contexto Educacional

A infecção por Chlamydia trachomatis é a IST bacteriana mais comum globalmente, afetando principalmente mulheres jovens e sexualmente ativas. É uma causa frequente de cervicite, uretrite e doença inflamatória pélvica (DIP), podendo levar a complicações graves como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. A maioria das infecções é assintomática, o que dificulta o diagnóstico e favorece a transmissão. A fisiopatologia envolve a infecção das células epiteliais colunares do colo uterino. Os sintomas, quando presentes, são inespecíficos: corrimento vaginal claro/mucoide, disúria e sangramento pós-coito. O exame especular pode revelar ectopia e friabilidade cervical, achados sugestivos de cervicite. A história de múltiplos parceiros e ausência de preservativo aumentam o risco. O diagnóstico é feito por testes de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN), como a captura híbrida, que detectam o DNA ou RNA da bactéria com alta sensibilidade e especificidade. O tratamento de escolha é a doxiciclina 100 mg via oral, 12/12h por 7 dias, ou azitromicina 1g dose única. É crucial tratar todos os parceiros sexuais para evitar a reinfecção e aconselhar sobre o uso de preservativos para prevenção de futuras ISTs.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sintomas da cervicite por Chlamydia trachomatis?

A cervicite por Chlamydia trachomatis é frequentemente assintomática. Quando presentes, os sintomas podem incluir corrimento vaginal mucopurulento, sangramento intermenstrual, disúria e dor pélvica. Ao exame, pode-se observar friabilidade e ectopia cervical.

Por que a captura híbrida é um bom método diagnóstico para clamídia?

A captura híbrida é um teste molecular altamente sensível e específico para a detecção de DNA de Chlamydia trachomatis. Permite o diagnóstico rápido e preciso, sendo superior à cultura em termos de praticidade e custo-benefício para rastreamento e diagnóstico.

Qual a importância do tratamento do parceiro sexual na infecção por clamídia?

O tratamento de todos os parceiros sexuais recentes é fundamental para prevenir a reinfecção da paciente e a disseminação da infecção na comunidade. A não adesão ao tratamento do parceiro é uma causa comum de falha terapêutica e recorrência.

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