UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Mulher de 30 anos, assintomática, retorna para buscar resultado do exame citopatológico do colo do útero, cujo resultado é “sugestivo de Chlamydia sp”. Assinale a alternativa correta.
Clamídia assintomática = tratar para prevenir complicações e transmissão.
A infecção por Chlamydia trachomatis é frequentemente assintomática, mas pode levar a graves complicações reprodutivas se não tratada. Portanto, o tratamento deve ser instituído mesmo na ausência de sintomas, especialmente quando há suspeita diagnóstica.
A infecção por Chlamydia trachomatis é uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) bacterianas mais comuns globalmente. Caracteriza-se por ser frequentemente assintomática, especialmente em mulheres, o que dificulta o diagnóstico e favorece a sua disseminação e o desenvolvimento de complicações graves a longo prazo. A detecção precoce e o tratamento adequado são fundamentais para a saúde pública. O diagnóstico da infecção por clamídia não é feito pelo exame citopatológico (Papanicolaou), que pode apenas sugerir a presença da bactéria através de alterações celulares inespecíficas. O padrão-ouro para o diagnóstico são os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (NAATs), que possuem alta sensibilidade e especificidade para detectar o DNA ou RNA da bactéria em amostras de urina ou swabs genitais. O Sistema de Bethesda, utilizado para classificar resultados de Papanicolaou, não inclui a infecção por clamídia como um resultado específico. Devido à alta taxa de assintomatismo e ao risco de complicações sérias como doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica em mulheres, o tratamento da infecção por Chlamydia trachomatis deve ser instituído assim que houver suspeita ou confirmação diagnóstica, independentemente da presença de sintomas. O tratamento geralmente envolve antibióticos como azitromicina ou doxiciclina, e é imperativo que os parceiros sexuais também sejam tratados para prevenir a reinfecção e a cadeia de transmissão.
Em mulheres, pode levar à doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. Em homens, pode causar epididimite. Em ambos os sexos, pode levar à artrite reativa.
O Papanicolaou pode sugerir infecção por clamídia ao identificar alterações citopáticas, mas não é um teste diagnóstico definitivo. O diagnóstico de certeza requer testes moleculares, como NAATs (Testes de Amplificação de Ácidos Nucleicos).
O tratamento padrão inclui azitromicina (dose única) ou doxiciclina (por 7 dias). É crucial tratar também os parceiros sexuais para evitar reinfecção e controlar a disseminação da IST.
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