UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023
Daniele, 16 anos, deu entrada na UPA do Promorar com história de febre, dor abdominal intensa e vômitos recorrentes. Nas últimas semanas, tem evoluído com perda de peso, poliúria e polidipsia. Ao exame físico: desidratada moderada, pálida, febril (Tax: 37,9°C). FR: 28 ipm, Sat.O2: 97% (ar ambiente). FC: 150 bpm, PA: 100:60 mmHg. Hemograma: Hb: 10; Leuco: 22.000; Plaquetas: 180.000; Glicemia Capilar: 660mg/dl; Gasometria: pH 7,1; Bic: 11 mEq/L; EAS: corpos cetônicos; K: 4,5 mEq/L; Na: 135 mEq/L. Assinale o componente chave para o tratamento da adolescente:
CAD: priorizar hidratação com SF 0,9% e iniciar insulinoterapia contínua após estabilização volêmica.
O tratamento da cetoacidose diabética (CAD) inicia-se com hidratação vigorosa para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão. A insulinoterapia contínua deve ser iniciada após a expansão volêmica, para evitar piora do edema cerebral, e é crucial para reverter a acidose e cetose.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, mas também pode ocorrer no tipo 2 em situações de estresse. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. É uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir complicações graves, como edema cerebral, que é a principal causa de mortalidade em CAD pediátrica. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à gliconeogênese e glicogenólise hepática descontroladas, resultando em hiperglicemia. A falta de insulina também promove a lipólise, liberando ácidos graxos que são convertidos em corpos cetônicos no fígado, causando acidose metabólica. O diagnóstico é confirmado por glicemia >250 mg/dL, pH <7,3, bicarbonato <18 mEq/L e presença de cetonas no sangue ou urina. A suspeita deve ser alta em pacientes diabéticos com sintomas gastrointestinais, desidratação e alteração do estado mental. O tratamento da CAD é multifacetado e prioriza a correção da desidratação com fluidos intravenosos (geralmente soro fisiológico 0,9%), seguida pela insulinoterapia contínua para reverter a cetogênese e a hiperglicemia. A reposição de eletrólitos, especialmente potássio, é fundamental, pois a acidose e a insulinoterapia podem causar hipocalemia. O monitoramento rigoroso de glicemia, eletrólitos, gasometria e estado neurológico é essencial para guiar o tratamento e prevenir complicações.
A cetoacidose diabética (CAD) manifesta-se com poliúria, polidipsia, perda de peso, dor abdominal, vômitos, desidratação, taquipneia (respiração de Kussmaul) e alteração do nível de consciência. A glicemia é geralmente >250 mg/dL, com acidose metabólica e cetonúria/cetonemia.
A hidratação é crucial para restaurar o volume intravascular, melhorar a perfusão tecidual e corrigir a hiperosmolaridade. Iniciar a insulina antes da hidratação adequada pode levar a uma queda rápida da glicemia e osmolaridade, aumentando o risco de edema cerebral.
A insulinoterapia contínua intravenosa deve ser iniciada após a expansão volêmica inicial, geralmente com soro fisiológico 0,9%. A dose típica é de 0,05 a 0,1 U/kg/hora, com monitoramento rigoroso da glicemia e eletrólitos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo