Cetoacidose Diabética: Hidratação Inicial e Erros Comuns

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 33 anos foi encontrado desacordado com hálito cetônico, sendo levado direto para a emergência do hospital. Na sua história, consta que, há duas semanas, ele começou a apresentar polidipsia e poliúria. Os exames da emergência demostram um PH de 7,05; HCO3 de 11; K de 4,5 meq/l; sódio corrigido de 140 meq/l e seu HGT foi de 500mg/dl; além de presença de leucocitose com 26 mil leucóticos. Em relação ao caso clínico descrito e aos conhecimentos correlatos, julgue o item a seguir.Trata-se de estado de cetoacidose diabética, sendo necessária hidratação vigorosa com solução salina hipertônica.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

CAD: hidratação inicial com SF 0,9% (isotônico), NÃO solução salina hipertônica.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) requer hidratação vigorosa para corrigir a depleção volêmica e a hiperosmolaridade. A solução de escolha inicial é o soro fisiológico 0,9% (isotônico), não o hipertônico, para evitar riscos como a mielinólise pontina central e agravamento da hipernatremia ou hiperosmolaridade.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É mais comum no diabetes tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2, e sua incidência tem aumentado. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir morbimortalidade significativa, sendo um tema recorrente em provas de residência e na prática clínica de emergência. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à gliconeogênese e glicogenólise hepática descontroladas, resultando em hiperglicemia. A falta de insulina também promove a lipólise, liberando ácidos graxos que são convertidos em corpos cetônicos, causando a acidose metabólica. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com destaque para a tríade: hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7.3, HCO3 <18 mEq/L) e cetonemia/cetonúria. O tratamento da CAD é multifacetado, incluindo hidratação vigorosa, insulinoterapia, reposição de eletrólitos (especialmente potássio) e tratamento da causa precipitante. A hidratação inicial é feita com soro fisiológico 0,9% (isotônico) para restaurar o volume intravascular e corrigir a hipovolemia. A escolha da solução salina hipertônica é inadequada e perigosa na fase inicial, pois pode exacerbar a hipernatremia e o risco de complicações neurológicas. A transição para soro glicosado é feita quando a glicemia atinge níveis seguros para evitar hipoglicemia.

Perguntas Frequentes

Qual a principal alteração fisiopatológica que justifica a hidratação vigorosa na CAD?

A principal alteração é a depleção volêmica significativa devido à diurese osmótica induzida pela hiperglicemia, além da perda de eletrólitos e água. A hidratação visa restaurar o volume intravascular e a perfusão tecidual.

Por que a solução salina hipertônica é contraindicada na fase inicial da CAD?

A solução salina hipertônica é contraindicada na fase inicial da CAD porque pode agravar a hipernatremia e a hiperosmolaridade, além de aumentar o risco de mielinólise pontina central se a correção do sódio for muito rápida. A prioridade é a correção gradual e segura.

Quais são os critérios diagnósticos para Cetoacidose Diabética?

Os critérios incluem hiperglicemia (glicemia > 250 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7,3 e bicarbonato < 18 mEq/L) e presença de cetonas no sangue ou urina. O paciente também pode apresentar sintomas como polidipsia, poliúria, hálito cetônico e alteração do nível de consciência.

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