Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020

Enunciado

Escolar de 10 anos, masculino, dá entrada no pronto socorro com dor abdominal, vômitos e náuseas. Segundo informa a mãe, apresenta emagrecimento e poliuria e polidipsia há 3 semanas. Hoje, ficou muito sonolento, motivo pelo qual procurou atendimento médico. Ao exame físico e laboratorial, apresenta postação, desidratado, má perfusão periférica, respiração acidótica. Fc 140 bpm, Fr 64 ipm, pulso regular, pH = 7.10 pco2 = 15 mmHg. Po2 = 95 mmHg sat 93% HCO3=6 Na=132 mEql K=3.5mEq, glicosuria +++, cetonuria+++. Assinale alternativa correta, quanto ao diagnóstico e ao manejo clínico na emergência.

Alternativas

  1. A) Diabetes Mellitus tipo I, hidratação inicial com SF0.9%, correção de potássio, bicarbonato e insuli- noterapia EV em bomba de infusão.
  2. B) Cetoacidose diabética, hidratação, insulinotera- pia em bomba de infusão, correção de potássio e bicarbonato.
  3. C) Diabetes Mellitus tipo II, hidratação inicial com SF0.9%, correção de potássio, bicarbonato e insuli- noterapia EV em bomba de infusão.
  4. D) Cetoacidose diabética, hidratação, insulinoterapia em bomba de infusão, correção de potássio.
  5. E) Coma hiperosmolar, hidratação, insulinoterapia em bomba de infusão, correção de potássio.

Pérola Clínica

CAD pediátrica: hidratação (SF 0,9%), insulinoterapia EV contínua, correção de potássio. Bicarbonato NÃO rotina.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) em crianças é uma emergência médica caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. O manejo inicial inclui hidratação vigorosa com soro fisiológico 0,9%, insulinoterapia endovenosa contínua e correção cuidadosa do potássio. O uso de bicarbonato é restrito a casos de acidose muito grave (pH < 6.9) ou instabilidade hemodinâmica.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, e representa uma emergência pediátrica frequente. É a principal causa de morbimortalidade em crianças com diabetes. O reconhecimento precoce dos sintomas como poliúria, polidipsia, emagrecimento, dor abdominal, náuseas, vômitos e, em casos avançados, sonolência e respiração acidótica (Kussmaul), é vital para um manejo adequado. Fisiopatologicamente, a deficiência de insulina leva à hiperglicemia e à ativação de vias metabólicas alternativas, resultando na produção de corpos cetônicos e acidose metabólica. O diagnóstico é confirmado pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. A avaliação laboratorial completa, incluindo gasometria, eletrólitos, glicemia e cetonas, é indispensável para classificar a gravidade e guiar a terapêutica. O manejo na emergência foca na reposição volêmica com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação, seguida pela insulinoterapia endovenosa contínua em bomba de infusão para reverter a cetoacidose e a hiperglicemia. A correção cuidadosa dos eletrólitos, especialmente o potássio, é fundamental para prevenir arritmias. O bicarbonato é reservado para casos de acidose extrema. O monitoramento contínuo do estado neurológico, glicemia, eletrólitos e gasometria é essencial para prevenir complicações como o edema cerebral, a complicação mais temida e fatal da CAD pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética em crianças?

Os critérios diagnósticos incluem hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7.3 e bicarbonato < 15 mEq/L) e cetonemia ou cetonúria. Sintomas como poliúria, polidipsia, emagrecimento, dor abdominal, vômitos e sonolência são comuns.

Qual a sequência de prioridades no manejo inicial da cetoacidose diabética pediátrica?

As prioridades são: 1) Avaliação e estabilização das vias aéreas e circulação; 2) Hidratação com soro fisiológico 0,9%; 3) Início da insulinoterapia endovenosa em bomba de infusão; 4) Correção de eletrólitos, especialmente potássio, após o início da hidratação e com diurese estabelecida.

Por que a correção de potássio é tão importante na cetoacidose diabética?

A correção de potássio é crucial porque, apesar de o potássio sérico poder estar normal ou elevado inicialmente, a acidose e a insulinoterapia promovem o deslocamento do potássio para o intracelular, levando a hipocalemia grave. A hipocalemia pode causar arritmias cardíacas fatais, sendo a reposição iniciada quando o potássio sérico estiver normal ou baixo e a diurese estabelecida.

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