Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 7 anos, aumento da diurese e da ingestão hídrica há 2 semanas, com perda de peso e aumento do apetite. Ao exame físico, REG, taquipneico, mucosas secas, pulsos finos. Dor à palpação de abdome. Assinale a alternativa com os exames necessários e resultados esperados para confirmação da hipótese principal.

Alternativas

  1. A) Glicemia < 100 mg/dL, ultrassom de abdome cálculos renais e urina 1 com hematúria.
  2. B) Glicemia > 200 mg/dL, gasometria arterial (pH < 7,3 e/ou BIC < 15 mEq/L) e exame de urina cetonúria.
  3. C) Hemograma com leucocitose, glicemia > 100 mg/dL, gasometria arterial com pH < 7,1 e/ou BIC < 21 mEq/L.
  4. D) Hemograma leucocitose e desvio à esquerda, hemocultura positiva para pneumococo e radiografia de tórax condensação em bases.
  5. E) Urina tipo 1 com leucocitúria, urocultura positiva > 100.000 colônias e hemograma com leucocitose.

Pérola Clínica

Criança com poliúria, polidipsia, perda de peso + taquipneia e mucosas secas → Cetoacidose Diabética (CAD) = Glicemia > 200, pH < 7.3, cetonúria.

Resumo-Chave

A tríade clássica de poliúria, polidipsia e perda de peso em criança, associada a sinais de desidratação e taquipneia (respiração de Kussmaul), é altamente sugestiva de cetoacidose diabética, uma complicação grave do diabetes mellitus tipo 1.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus tipo 1 (DM1), especialmente comum em crianças como primeira manifestação da doença. É uma emergência pediátrica que requer reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir morbidade e mortalidade significativas. A incidência de DM1 em crianças tem aumentado globalmente. A fisiopatologia da CAD envolve deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia, glicosúria osmótica (poliúria, polidipsia, desidratação), lipólise e cetogênese excessiva (cetonemia, cetonúria, acidose metabólica). Os sintomas incluem poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, fadiga, e, na CAD, náuseas, vômitos, dor abdominal, taquipneia (respiração de Kussmaul) e alteração do nível de consciência. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com glicemia elevada (>200 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7,3 e/ou bicarbonato < 15 mEq/L) e cetonúria/cetonemia. O tratamento envolve hidratação intravenosa cuidadosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos, com monitoramento rigoroso para evitar complicações como edema cerebral.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos de diabetes mellitus tipo 1 em crianças?

Os sintomas clássicos incluem poliúria (aumento da diurese), polidipsia (aumento da sede), polifagia (aumento do apetite) e perda de peso inexplicada.

Quais achados laboratoriais confirmam o diagnóstico de cetoacidose diabética?

O diagnóstico é confirmado por glicemia > 200 mg/dL, acidose metabólica (pH < 7,3 e/ou bicarbonato < 15 mEq/L) e presença de cetonas na urina ou sangue.

Por que a taquipneia e a dor abdominal são comuns na cetoacidose diabética?

A taquipneia (respiração de Kussmaul) é uma tentativa compensatória do organismo para eliminar CO2 e corrigir a acidose. A dor abdominal é comum e pode ser grave, mimetizando um abdome agudo.

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