UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Na cetoacidose diabética em crianças,
Cetoacidose diabética pediátrica: tratamento = reposição fluídica + insulinoterapia + correção eletrolítica. Evitar correção rápida da glicemia.
Na cetoacidose diabética (CAD) em crianças, o tratamento é multifacetado e baseia-se na reposição cuidadosa de fluidos, insulinoterapia contínua e correção dos distúrbios eletrolíticos, especialmente o potássio. A normalização da glicemia não é a meta principal na primeira hora, e o uso de bicarbonato é restrito, para evitar complicações como o edema cerebral.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado ou em pacientes com manejo inadequado da insulina. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, resultantes da deficiência absoluta ou relativa de insulina. Em crianças, a CAD é uma emergência pediátrica que requer manejo cuidadoso e monitoramento intensivo. A fisiopatologia da CAD envolve a ausência de insulina, levando à gliconeogênese e glicogenólise hepática descontroladas, resultando em hiperglicemia. A falta de insulina também promove a lipólise e a formação de corpos cetônicos, causando acidose metabólica. A desidratação é significativa devido à diurese osmótica. O diagnóstico é feito pela tríade de hiperglicemia (>200 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7,3 e bicarbonato < 15 mEq/L) e cetonemia/cetonúria. O tratamento da CAD em crianças baseia-se em três pilares: reposição fluídica, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos. A reposição de fluidos deve ser gradual para evitar edema cerebral, a complicação mais temida. A insulina deve ser administrada por via intravenosa em infusão contínua, e a correção da glicemia deve ser lenta. A monitorização do potássio é crucial, pois a insulinoterapia e a correção da acidose podem levar à hipocalemia. O bicarbonato de sódio é raramente indicado e seu uso deve ser criterioso.
A principal causa de óbito na cetoacidose diabética em crianças é o edema cerebral, uma complicação grave que pode ser precipitada por uma correção muito rápida da glicemia, administração excessiva de fluidos ou uso inadequado de bicarbonato de sódio.
A conduta inicial para reposição fluídica na CAD pediátrica envolve a administração de bolus de cristaloide isotônico (geralmente SF 0,9%) de 10-20 mL/kg em 30-60 minutos, com cautela para evitar sobrecarga e risco de edema cerebral. A hidratação subsequente é mais lenta e calculada.
O bicarbonato de sódio tem indicações muito restritas na CAD pediátrica, sendo reservado para casos de acidose metabólica grave com pH < 6,9-7,0 e instabilidade hemodinâmica, ou hipercalemia grave refratária. Seu uso rotineiro é contraindicado devido ao risco de edema cerebral e hipocalemia.
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