Cetoacidose Diabética Pediátrica: Conduta Inicial Essencial

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino, 13 anos, apresenta dor abdominal, náuseas e vômitos há 6 horas. Tem poliúria, polidipsia e perda ponderal há 3 semanas. Ao exame: regular estado geral, desidratado, afebril, agitado, frequência respiratória 22 ipm, frequência cardíaca 102 bpm, pressão arterial 108 x 62 mmHg (adequada para idade e estatura), tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pulsos amplos, sem alterações na ausculta pulmonar e cardíaca ou no exame do abdome e da genitália. Exames laboratoriais: Exames laboratoriais: Hemoglobina 15 g/dl; hematócrito 45%; leucócitos 13.000/μL; plaquetas 250.000/μL pH venoso: 7,29; pO2 38; pCO2 29; HCO3 14; base excess 6; Sat 02 68% Sódio: 136 mmol/L Potássio: 3,6 mmol/L Cloro: 102 mmol/L; Glicemia: 495 mg/dl; Cetonemia: 4,8 mmol/L (valor normal < 3); Ureia: 37 mg/dl; Creatinina: 0,72 mg/dl. Qual é a conduta inicial mais adequada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Reposição de bicarbonato.
  2. B) Aplicação de insulina.
  3. C) Administração de antibiótico.
  4. D) Hidratação endovenosa.

Pérola Clínica

CAD pediátrica → prioridade inicial é hidratação EV com SF 0,9% para restaurar volume e perfusão, antes da insulina.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de cetoacidose diabética (CAD), com hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia elevada, além de sinais de desidratação. A conduta inicial mais importante é a hidratação endovenosa agressiva com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação, restaurar a perfusão tecidual e iniciar a redução da glicemia e cetonemia.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave e potencialmente fatal do diabetes mellitus, especialmente em crianças, sendo frequentemente a primeira manifestação do diabetes tipo 1. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, resultantes da deficiência absoluta ou relativa de insulina e do aumento dos hormônios contrarreguladores. O quadro clínico inclui poliúria, polidipsia, perda ponderal, dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação e, em casos graves, alteração do nível de consciência. A conduta inicial na CAD pediátrica é crucial e deve seguir uma sequência bem definida para evitar complicações. A prioridade absoluta é a hidratação endovenosa agressiva com soro fisiológico 0,9%. Isso visa restaurar o volume intravascular, corrigir a desidratação, melhorar a perfusão renal e tecidual, e iniciar a redução da glicemia e cetonemia. A hidratação adequada é fundamental antes da administração de insulina, pois uma queda muito rápida da glicemia sem volume adequado pode precipitar o edema cerebral, uma complicação temida. Após a estabilização hemodinâmica e o início da hidratação, a insulina regular endovenosa em infusão contínua é iniciada para suprimir a cetogênese e reduzir a glicemia. O monitoramento rigoroso de eletrólitos (especialmente potássio), glicemia, pH e estado neurológico é essencial. Residentes devem dominar o protocolo de manejo da CAD, reconhecendo a importância da hidratação como pilar inicial do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética (CAD) em crianças?

Os critérios incluem hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH venoso < 7,3 ou HCO3 < 15 mEq/L) e cetonemia/cetonúria moderada a grave.

Por que a hidratação endovenosa é a primeira conduta na CAD pediátrica?

A hidratação corrige a desidratação grave, restaura o volume intravascular e a perfusão tecidual, melhora a filtração glomerular e ajuda a reduzir a glicemia e cetonemia, sendo crucial antes da insulina para evitar complicações como edema cerebral.

Quando a insulina deve ser iniciada no tratamento da CAD pediátrica?

A insulina deve ser iniciada somente após a fase inicial de hidratação (geralmente 1-2 horas), quando o paciente estiver hemodinamicamente estável e com boa perfusão, para evitar uma queda muito rápida da glicemia e o risco de edema cerebral.

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