Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico e Conduta Inicial

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

Menina de 5 anos comparece ao pronto-socorro com queixa de náusea, vômitos e dor abdominal há 1 dia, com piora agora após ingerir doce em uma festa infantil. Nega diarreia. Refere urina em grande quantidade, e voltou a ter enurese noturna há 1 semana. Nega alteração da cor ou odor da urina. Ao exame: criança desidratada de 2° grau, hipoativa, porém pedindo para beber água, taquicárdica, porém sem alterações na ausculta cardíaca, taquipneica, porém sem alterações na ausculta pulmonar, abdome doloroso a palpação profunda difusamente, sem outras alterações. Qual sua principal hipótese diagnóstica e conduta nesse caso?

Alternativas

  1. A) Diabetes Mellitus, solicitar para colher glicemia amanhã após jejum de 8 horas.
  2. B) Gastroenterocolite Aguda (GECA, soro de rehidratação via oral).
  3. C) Diabetes Mellitus, realizar glicemia agora.
  4. D) Gastroenterocolite Aguda (GECA, soro de rehidratação endovenoso).

Pérola Clínica

Criança com poliúria, polidipsia, vômitos, dor abdominal e desidratação → suspeitar de Cetoacidose Diabética (CAD).

Resumo-Chave

O quadro clínico de poliúria, polidipsia (pedindo água), enurese secundária, náuseas, vômitos e dor abdominal em criança desidratada é altamente sugestivo de cetoacidose diabética, uma complicação grave do diabetes mellitus tipo 1. A glicemia deve ser verificada imediatamente.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave e potencialmente fatal do diabetes mellitus tipo 1 em crianças, sendo frequentemente a primeira manifestação da doença. O reconhecimento precoce é crucial para evitar desfechos adversos, sendo um tema de alta relevância em provas de residência e na prática pediátrica. O quadro clínico típico envolve sintomas de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, perda de peso) associados a sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal) e sinais de desidratação e acidose (taquipneia, hálito cetônico, alteração do nível de consciência). A enurese noturna secundária é um sinal-chave que indica poliúria. A fisiopatologia envolve a deficiência de insulina, levando à hiperglicemia e à produção de corpos cetônicos. Diante de uma criança com esses sintomas, a principal hipótese diagnóstica deve ser CAD. A conduta imediata é a verificação da glicemia capilar. O tratamento envolve hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos e acidobásicos, sempre em ambiente hospitalar e com monitorização rigorosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de diabetes mellitus tipo 1 em crianças?

Os sinais clássicos incluem poliúria (aumento da frequência urinária), polidipsia (aumento da sede), polifagia (aumento do apetite) e perda de peso inexplicável. A enurese noturna secundária é um sinal de alerta importante.

Por que a cetoacidose diabética causa dor abdominal e vômitos?

A dor abdominal e os vômitos na CAD são causados pela acidose metabólica grave e pela irritação peritoneal, sendo um sintoma comum que pode mimetizar um abdome agudo. A desidratação e o desequilíbrio eletrolítico também contribuem.

Qual a importância da enurese noturna em um quadro de suspeita de diabetes?

A enurese noturna secundária, ou seja, o retorno da perda de urina durante o sono após um período de controle, é um sinal de alerta importante para poliúria e, consequentemente, para diabetes mellitus em crianças, indicando hiperglicemia e diurese osmótica.

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