Cetoacidose Diabética em Crianças: Gatilhos e Diagnóstico

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Uma criança com 10 anos de idade é trazida pelos pais ao pronto socorro com queixa de dor abdominal, vômitos e glicemia capilar de 430 mg/dL. Após anamnese, exame físico e exames laboratoriais, recebeu o diagnóstico de cetoacidose diabética. Sobre o diagnóstico, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) a complicação mais temida da cetoacidose diabética em crianças e adolescentes é a presença de hipertensão arterial grave na admissão do paciente ao serviço de urgência.
  2. B) as principais causas de cetoacidose diabética são infecções (virais ou bacterianas), falta de aderência ao tratamento e estresse emocional.
  3. C) os principais sintomas da cetoacidose diabética são agitação e ganho de peso.
  4. D) na cetoacidose diabética o potássio corporal total encontra-se geralmente aumentado.
  5. E) o tratamento da cetoacidose diabética visa ao restabelecimento das condições gerais do paciente com restrição de líquidos na terapia inicial.

Pérola Clínica

CAD pediátrica: suspeitar em criança com dor abdominal + vômitos + hiperglicemia; gatilhos comuns = infecções e má adesão.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência metabólica causada pela deficiência de insulina e aumento dos hormônios contrarreguladores. Os principais gatilhos são estresses fisiológicos como infecções, que aumentam a demanda por insulina, ou a omissão de doses do hormônio.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é a complicação aguda mais grave do Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) e uma das principais causas de mortalidade em crianças e adolescentes com a doença. Ela pode ser a manifestação inicial do DM1 ou ocorrer em pacientes já diagnosticados, geralmente devido a fatores desencadeantes específicos. A fisiopatologia da CAD decorre da deficiência absoluta ou relativa de insulina, associada a um aumento dos hormônios contrarreguladores (glucagon, cortisol, catecolaminas). Isso leva à hiperglicemia por aumento da gliconeogênese e glicogenólise, e à cetogênese pela lipólise exacerbada. Os principais fatores precipitantes são infecções (virais ou bacterianas), omissão da aplicação de insulina (má adesão) e estresse fisiológico ou emocional. O quadro clínico inclui poliúria, polidipsia, perda de peso, hálito cetônico, dor abdominal, vômitos e, em casos graves, alteração do nível de consciência. O tratamento é uma emergência médica e baseia-se em três pilares: reposição volêmica cuidadosa para corrigir a desidratação, insulinoterapia endovenosa para cessar a cetogênese e corrigir a hiperglicemia, e correção dos distúrbios hidroeletrolíticos, com monitorização rigorosa do potássio. O objetivo é reverter o quadro metabólico de forma gradual para minimizar o risco da complicação mais temida, o edema cerebral.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética em pediatria?

O diagnóstico é baseado na tríade laboratorial: hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH venoso < 7,3 ou bicarbonato sérico < 15 mEq/L) e cetonemia (cetonas séricas > 3 mmol/L) ou cetonúria moderada a intensa.

Qual a conduta inicial no manejo da cetoacidose diabética pediátrica?

A prioridade é a reposição volêmica com solução salina isotônica (0,9%) para restaurar a perfusão tecidual, seguida pela insulinoterapia endovenosa contínua e correção gradual dos distúrbios eletrolíticos, com atenção especial ao potássio, que deve ser reposto assim que a diurese for estabelecida.

Qual a complicação mais temida da CAD em crianças e como preveni-la?

A complicação mais grave é o edema cerebral, que tem alta mortalidade. A prevenção envolve a correção lenta e gradual da hiperglicemia, da desidratação e da hiperosmolaridade, evitando quedas bruscas da glicemia e o uso de soluções hipotônicas no início do tratamento.

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