Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico e Sinais Chave

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino de 3 anos, previamente hígido, apresenta queixa de dor abdominal há 2 semanas, evoluindo com piora progressiva, mal-estar e náuseas. Há 2 dias, apresenta piora dos vômitos e da dor abdominal, com dificuldade para se alimentar, apesar de sentir muita sede. Ao exame físico, está em regular estado geral, desidratado grave, taquicárdico, taquipneico, com extremidades frias e diminuição da perfusão periférica com dor abdominal difusa. Recebeu expansão com 20 mL/kg de soro fisiológico, apresentou diurese abundante, mas mantém sinais de desidratação, taquicardia e taquipneia. A principal hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) síndrome de enterocolite induzida por proteínas alimentares (FPIES).
  2. B) apendicite aguda.
  3. C) pancreatite aguda.
  4. D) cetoacidose diabética.
  5. E) sepse.

Pérola Clínica

Criança com desidratação grave, taquicardia, taquipneia, dor abdominal e poliúria paradoxal → Cetoacidose Diabética.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética em crianças pode mimetizar um abdome agudo ou sepse, mas a presença de poliúria, polidipsia (sede intensa), desidratação grave e taquipneia (respiração de Kussmaul) após expansão volêmica sugere fortemente CAD.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com Diabetes Mellitus tipo 1 recém-diagnosticado ou em pacientes com diabetes conhecido que não aderem ao tratamento. É uma emergência pediátrica que requer reconhecimento e manejo imediatos, pois pode levar a edema cerebral, coma e morte. A CAD é caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. O quadro clínico da CAD pode ser insidioso, com sintomas como poliúria, polidipsia e perda de peso, evoluindo para sintomas mais graves como náuseas, vômitos, dor abdominal (que pode mimetizar um abdome agudo), desidratação grave, taquicardia e taquipneia (respiração de Kussmaul, um mecanismo compensatório para a acidose metabólica). A persistência de sinais de desidratação e choque, mesmo após expansão volêmica inicial, em um paciente com poliúria, deve levantar forte suspeita de CAD. O tratamento da CAD envolve a reposição volêmica cuidadosa para corrigir a desidratação, a administração de insulina intravenosa para reverter a hiperglicemia e a cetose, e a correção dos distúrbios eletrolíticos, especialmente o potássio. O monitoramento rigoroso do estado neurológico, glicemia, eletrólitos e equilíbrio ácido-base é fundamental para evitar complicações como o edema cerebral. O diagnóstico diferencial com outras causas de dor abdominal e choque é crucial para um manejo adequado e desfecho favorável.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da cetoacidose diabética em crianças?

Os sinais incluem poliúria, polidipsia, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal, desidratação grave, taquicardia, taquipneia (Kussmaul) e hálito cetônico.

Por que a cetoacidose diabética causa dor abdominal e taquipneia?

A dor abdominal é multifatorial, relacionada à acidose, distensão gástrica e íleo. A taquipneia (respiração de Kussmaul) é um mecanismo compensatório do corpo para eliminar CO2 e corrigir a acidose metabólica.

Como diferenciar cetoacidose diabética de sepse ou abdome agudo em pediatria?

A CAD se diferencia pela presença de hiperglicemia, cetonemia/cetonúria e acidose metabólica. Sinais como poliúria e polidipsia, além da resposta limitada à expansão volêmica, são pistas importantes para a CAD.

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