Cetoacidose Diabética Pediátrica: Sinais e Exames Iniciais

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Menino de 8 anos, previamente hígido, há 1 semana vem apresentando mal-estar e inapetência, aceitando apenas grande quantidade de líquidos. Há 3 dias com dor abdominal, com piora progressiva, acompanhada de náuseas e vômitos. Mãe nega febre e diarreia. Ao exame de admissão no pronto-socorro, encontra-se em regular estado geral, desidratado 3+/4, taquicárdico e taquipneico. Ausculta pulmonar e cardíaca normais, abdome plano, doloroso difusamente com descompressão brusca negativa.De acordo com a principal hipótese, os exames iniciais que devem ser solicitados são:

Alternativas

  1. A) hemograma e hemocultura.
  2. B) líquor, glicemia, hemograma e hemocultura.
  3. C) glicemia, gasometria venosa e eletrólitos.
  4. D) amilase sérica e tomografia de abdome.
  5. E) tomografia de abdome, hemograma e hemocultura.

Pérola Clínica

Criança com dor abdominal, náuseas/vômitos, desidratação, taquicardia/taquipneia (sem febre/diarreia) → suspeitar CAD; pedir glicemia, gasometria, eletrólitos.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação e taquipneia em uma criança previamente hígida, sem febre ou diarreia, é altamente sugestivo de cetoacidose diabética (CAD). Os exames iniciais essenciais para confirmar a hipótese e guiar o tratamento são glicemia, gasometria venosa (para avaliar acidose metabólica) e eletrólitos (para desequilíbrios).

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave e potencialmente fatal do Diabetes Mellitus tipo 1, sendo frequentemente a primeira manifestação da doença em crianças previamente hígidas. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. O quadro clínico pode ser insidioso, com mal-estar e inapetência, evoluindo para sintomas mais graves como dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação, taquicardia e taquipneia (respiração de Kussmaul, um mecanismo compensatório para a acidose metabólica). A ausência de febre e diarreia no caso apresentado reforça a suspeita de CAD, diferenciando-a de gastroenterites comuns. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia e à incapacidade das células de utilizar glicose como fonte de energia. Isso ativa vias metabólicas alternativas, como a lipólise, resultando na produção excessiva de corpos cetônicos (ácido beta-hidroxibutírico, acetoacetato e acetona), que são ácidos e causam acidose metabólica. A hiperglicemia induz diurese osmótica, levando à desidratação e desequilíbrios eletrolíticos. Diante da suspeita de CAD, a prioridade diagnóstica é a rápida confirmação e avaliação da gravidade. Os exames iniciais cruciais são: glicemia (para confirmar hiperglicemia), gasometria venosa (para avaliar o grau de acidose metabólica e o pH), e eletrólitos (sódio, potássio, cloro, para identificar desequilíbrios e calcular o ânion gap). A cetonúria ou cetonemia também devem ser avaliadas. O tratamento envolve hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos, com monitoramento rigoroso para evitar complicações como o edema cerebral.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da cetoacidose diabética (CAD) em crianças?

Os sintomas da CAD em crianças podem incluir polidipsia (sede excessiva), poliúria (aumento da frequência urinária), perda de peso, mal-estar, inapetência, náuseas, vômitos e dor abdominal. Em casos mais graves, podem surgir desidratação, taquicardia, taquipneia (respiração de Kussmaul) e alteração do nível de consciência.

Por que a dor abdominal é comum na cetoacidose diabética?

A dor abdominal na CAD é multifatorial, podendo ser causada pela acidose metabólica grave, distensão gástrica, íleo paralítico funcional, ou irritação peritoneal devido à inflamação. É importante notar que, apesar da dor, o abdome agudo cirúrgico é menos provável na ausência de sinais de peritonite localizada.

Quais exames são essenciais para o diagnóstico e manejo inicial da CAD?

Para o diagnóstico e manejo inicial da CAD, são essenciais a glicemia (geralmente >200 mg/dL), a gasometria venosa (para avaliar o pH, bicarbonato e presença de acidose metabólica), e os eletrólitos (sódio, potássio, cloro) para identificar desequilíbrios hidroeletrolíticos e calcular o ânion gap. A cetonúria ou cetonemia também são cruciais.

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