Cetoacidose Diabética Pediátrica: Manejo da Hipocalemia

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Menina, 7 anos de idade, previamente hígida, é trazida ao PS com febre, emagrecimento, aumento da sede e diurese abundante. Exame físico: desidratada e taquidispneica. Exames laboratoriais: glicemia = 588 mg/dL; pH = 7,13; HCOº = 5,0 mEg/L; Na = 131 mEg/L; K = 3,1 mEg/L; hemograma com leucocitose. Iniciou-se hidratação endovenosa com soro fisiológico 20 mL/kg na 1º hora. Qual é a conduta na 22 hora?

Alternativas

  1. A) Correção da acidose metabólica com bicarbonato de sódio.
  2. B) Iniciar insulina de ação intermediária endovenosa.
  3. C) Iniciar reposição endovenosa de potássio.
  4. D) Modificar o soro de hidratação para glicofisiológico (1:1).

Pérola Clínica

CAD pediátrica com hipocalemia (K < 3.3 mEq/L) → Repor potássio ANTES/COM insulina.

Resumo-Chave

Na cetoacidose diabética, a hipocalemia é comum devido à diurese osmótica e ao deslocamento intracelular de potássio. A reposição de potássio é crucial antes ou concomitantemente com a insulina para evitar arritmias cardíacas e fraqueza muscular, especialmente se o potássio sérico estiver baixo.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave e potencialmente fatal do diabetes mellitus, especialmente em crianças, sendo a principal causa de morbimortalidade em pacientes pediátricos com DM1. O reconhecimento precoce dos sintomas como poliúria, polidipsia, emagrecimento, desidratação e taquipneia (respiração de Kussmaul) é crucial para um manejo adequado e para evitar complicações neurológicas graves, como o edema cerebral. A fisiopatologia envolve a deficiência de insulina, levando à hiperglicemia, cetogênese e acidose metabólica, com consequente diurese osmótica e desequilíbrio eletrolítico. O diagnóstico é confirmado por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. A avaliação da gravidade e dos eletrólitos, como o potássio, é fundamental para guiar a terapia. O tratamento da CAD pediátrica baseia-se em hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos. A reposição de potássio é um pilar do tratamento, sendo iniciada após a fase inicial de hidratação e antes ou concomitantemente com a insulina, se o potássio sérico estiver baixo (<5.0 mEq/L), para prevenir arritmias cardíacas. A monitorização contínua dos eletrólitos, glicemia e estado ácido-base é essencial para ajustar a terapia e garantir a segurança do paciente. O prognóstico é bom com manejo adequado, mas a falha em reconhecer e tratar a hipocalemia ou o edema cerebral pode ter consequências devastadoras.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos de cetoacidose diabética em crianças?

A CAD é diagnosticada pela presença de hiperglicemia (>200 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7.3 e/ou HCO3 < 15 mEq/L) e cetonúria/cetonemia. A gravidade é classificada pelo pH e bicarbonato.

Quando iniciar a reposição de potássio na CAD?

A reposição de potássio deve ser iniciada quando o potássio sérico for < 5.0 mEq/L, geralmente após a fase inicial de hidratação e antes ou simultaneamente com a insulina, especialmente se K < 3.3 mEq/L.

Por que a insulina pode agravar a hipocalemia na CAD?

A insulina promove a entrada de potássio nas células, o que, em um paciente já com depleção de potássio, pode precipitar uma hipocalemia grave e suas complicações, como arritmias cardíacas.

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