Cetoacidose Diabética Pediátrica: Sinais e Conduta Inicial

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um adolescente de 11 anos deu entrada no pronto-socorro com queixa de náusea, vômitos e dor abdominal há 1 dia, com piora após ingerir doce na noite anterior. Nega diarreia. Refere emagrecimento de 3 kg em 1 mês e aumento da diurese, nega disúria. Ao exame, apresentava boca seca e olhos fundos. Apresentava-se um pouco irritado, pedindo para beber bastante água, pulsos rápidos, taquipneico, sem alteração na ausculta respiratória e cardíaca, abdome doloroso à palpação, sem sinais de peritonite. Qual a principal hipótese diagnóstica e a conduta IMEDIATA nesse caso?

Alternativas

  1. A) Gastroenterocolite aguda; soro de reidratação por via oral.
  2. B) Diabetes mellitus; realizar glicemia.
  3. C) Pielonefrite; realizar urina 1.
  4. D) Diabetes mellitus; encaminhar para ambulatório já com pedido para glicemia de jejum.
  5. E) Gastroenterocolite aguda; expansão endovenosa com soro fisiológico.

Pérola Clínica

Adolescente com dor abdominal, vômitos, polidipsia, poliúria, emagrecimento e taquipneia → suspeitar Cetoacidose Diabética. Conduta IMEDIATA: Glicemia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal, vômitos, polidipsia, poliúria, emagrecimento e taquipneia em um adolescente é altamente sugestivo de cetoacidose diabética (CAD), uma complicação grave do diabetes mellitus tipo 1. A conduta imediata é confirmar a hiperglicemia com uma glicemia capilar ou venosa.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, e frequentemente a manifestação inicial da doença em crianças e adolescentes. É uma emergência pediátrica caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, resultante da deficiência absoluta ou relativa de insulina. O quadro clínico pode ser inespecífico no início, mas a progressão leva a sintomas como polidipsia, poliúria, emagrecimento, náuseas, vômitos e dor abdominal. A fisiopatologia envolve a falta de insulina, que impede a entrada de glicose nas células e estimula a glicogenólise e gliconeogênese, levando à hiperglicemia. A ausência de insulina também promove a lipólise, resultando na produção de corpos cetônicos, que causam acidose metabólica. O diagnóstico é confirmado pela tríade de hiperglicemia (>200 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3 e bicarbonato <15 mEq/L) e cetonúria/cetonemia. A conduta IMEDIATA em casos suspeitos é a realização de uma glicemia capilar ou venosa para confirmar a hiperglicemia. Após a confirmação, o tratamento envolve hidratação venosa cuidadosa com soro fisiológico, insulinoterapia intravenosa em bomba de infusão, correção dos distúrbios eletrolíticos (especialmente potássio) e monitorização rigorosa. O manejo adequado da CAD é crucial para prevenir complicações neurológicas graves, como o edema cerebral.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da cetoacidose diabética em crianças e adolescentes?

Os sintomas incluem polidipsia (sede intensa), poliúria (aumento da diurese), polifagia (aumento do apetite) ou emagrecimento, náuseas, vômitos, dor abdominal, fadiga e, em casos graves, respiração de Kussmaul e alteração do nível de consciência.

Qual a importância da glicemia como conduta inicial na suspeita de cetoacidose diabética?

A glicemia é fundamental para confirmar a hiperglicemia, que é um dos pilares diagnósticos da cetoacidose diabética. É um exame rápido e acessível que direciona a conduta terapêutica imediata.

Como diferenciar a dor abdominal da cetoacidose diabética de outras causas de abdome agudo?

A dor abdominal na CAD é difusa, sem sinais de peritonite, e geralmente acompanhada de outros sintomas de descompensação diabética (polidipsia, poliúria, taquipneia). A presença de cetonúria e hiperglicemia confirma a etiologia.

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