FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Você está atendendo um paciente na sala vermelha do Hospital, 4 anos, sexo feminino com diagnóstico de cetoacidose diabética. Apresenta os seguintes exames laboratoriais: pH 7,05 Bicarbonato: 8 Sódio: 144 Potássio: 4.8 Glicemia: 490. Diante desta condição assinale a alternativa correta:
CAD Pediatria: Hidratação 1h antes da insulina (0,05-0,1 UI/kg/h); evitar bolus de insulina.
O manejo inicial foca na expansão volêmica cautelosa seguida de insulinoterapia contínua sem bolus para reduzir o risco de edema cerebral.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência endócrina caracterizada pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. Em pediatria, o manejo exige rigorosa atenção ao balanço hídrico e eletrolítico. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta de insulina e o excesso de hormônios contrarreguladores, levando à lipólise e produção de corpos cetônicos. O tratamento prioriza a restauração do volume circulante e a correção da acidose através da insulina, que inibe a cetogênese. A monitorização contínua de eletrólitos e do estado neurológico é crucial para detectar precocemente sinais de edema cerebral, que pode ocorrer mesmo durante o tratamento adequado.
O bolus de insulina em crianças com cetoacidose diabética (CAD) está associado a uma queda abrupta da osmolaridade plasmática, o que predispõe ao desenvolvimento de edema cerebral, a complicação mais temida e letal nessa faixa etária. O protocolo atual recomenda iniciar a infusão contínua apenas após a primeira hora de hidratação venosa para estabilizar a osmolaridade gradualmente.
A dose padrão de infusão contínua de insulina regular é de 0,05 a 0,1 UI/kg/hora. Em crianças muito pequenas ou com CAD leve, pode-se considerar iniciar com 0,05 UI/kg/hora para evitar hipoglicemia e quedas rápidas na osmolaridade. A meta não é a normalização imediata da glicemia, mas sim a reversão da cetose e da acidose metabólica.
A reposição de potássio deve ser iniciada assim que houver diurese estabelecida, a menos que o potássio sérico esteja elevado (> 5,5 mEq/L). Se o potássio estiver baixo (< 3,3 mEq/L), a insulina deve ser postergada até que os níveis sejam corrigidos para evitar arritmias fatais decorrentes do shift intracelular de potássio induzido pela insulina.
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