CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Menino de 10 anos chega ao pronto-socorro com queixas de dor abdominal, poliúria, sede intensa e cansaço. A glicemia capilar está em 480 mg/dL, e a gasometria arterial mostra acidose metabólica. Qual é o manejo inicial mais apropriado?
Cetoacidose diabética (CAD) → 1º Hidratação venosa com salina isotônica; 2º Insulina IV contínua (0.05-0.1 U/kg/h).
O manejo inicial da cetoacidose diabética (CAD) tem duas prioridades: reverter a desidratação e a cetogênese. A primeira etapa é a expansão volêmica com solução salina isotônica, seguida pela infusão contínua de insulina regular intravenosa para corrigir a hiperglicemia e a acidose de forma gradual.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência endócrina grave e uma das principais causas de morbimortalidade em crianças com diabetes mellitus tipo 1. A fisiopatologia envolve uma deficiência de insulina, levando à hiperglicemia e à produção de corpos cetônicos, resultando em acidose metabólica. O quadro clínico clássico inclui poliúria, polidipsia, dor abdominal, náuseas, vômitos e hálito cetônico. Em casos graves, pode haver alteração do nível de consciência e respiração de Kussmaul. O diagnóstico é confirmado pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. O manejo inicial é crítico e deve seguir uma ordem de prioridades. A primeira etapa é a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica, geralmente com solução salina isotônica (0,9%). A insulinoterapia, com infusão contínua de insulina regular intravenosa, só deve ser iniciada após a expansão volêmica inicial. O objetivo é uma correção gradual da glicemia e da acidose para evitar complicações, como o edema cerebral.
Os critérios diagnósticos para CAD são a tríade de hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH venoso < 7,3 ou bicarbonato < 15 mEq/L) e cetonemia (cetonas séricas > 3 mmol/L) ou cetonúria significativa.
A hidratação é prioritária para restaurar o volume intravascular, melhorar a perfusão renal e diminuir os hormônios contrarreguladores. A expansão volêmica por si só já ajuda a reduzir a glicemia por diluição e aumento da excreção renal de glicose.
A complicação mais temida e grave é o edema cerebral, que pode ocorrer durante o tratamento. Fatores de risco incluem correção muito rápida da hiperglicemia e da hiperosmolaridade. Por isso, a correção dos distúrbios deve ser sempre gradual e monitorada.
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