INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma criança com 4 anos de idade, do sexo masculino, é atendida no serviço de emergência pública de sua cidade em decorrência de quadro de náuseas, vômitos e dor abdominal há cerca de 2 horas. A mãe refere que a criança vem perdendo peso há aproximadamente 2 meses e apresentando aumento de apetite e diurese nesse período. O desenvolvimento da criança é adequado para a idade. Ao exame físico, o paciente mostra-se acordado e colaborativo, apresentando hálito cetônico, hipocorado 1+/4+, desidratado 3+/4+ e taquipneico, abdome difusamente doloroso, mas sem sinais de irritação peritoneal. A ausculta respiratória e a cardiovascular apresentam-se sem anormalidades. Exames laboratoriais evidenciam glicemia = 350 mg/dL, gasometria com pH = 7,20; pCO₂ = 25 mmHg; pO₂ = 80 mmHg; Bicarbonato = 10 mEq/L. O resultado do exame de urina revela cetonúria. Cerca de 4 horas após início de tratamento com reposição hídrica e insulina 0,1 Ul/kg/h, o paciente passa a apresentar redução do nível de consciência associada a bradicardia.Considerando o caso clínico descrito, o tratamento mais adequado para a complicação apresentada por esse paciente deve ser feito com
Cetoacidose diabética (CAD) pediátrica + redução consciência/bradicardia pós-tratamento → suspeitar edema cerebral, tratar com manitol.
A complicação mais grave e temida no tratamento da cetoacidose diabética pediátrica é o edema cerebral, que pode se manifestar por redução do nível de consciência e bradicardia. O tratamento de escolha para o edema cerebral é o manitol intravenoso.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado ou em manejo inadequado. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. Os sintomas incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, polidipsia, poliúria, perda de peso e hálito cetônico. A CAD é uma emergência pediátrica que exige tratamento imediato e cuidadoso. O diagnóstico da CAD é laboratorial, com glicemia > 200 mg/dL, pH < 7,30 e bicarbonato < 15 mEq/L, além de cetonúria. O tratamento inicial envolve reposição volêmica com solução salina isotônica e insulinoterapia contínua intravenosa. A fisiopatologia do edema cerebral na CAD não é totalmente compreendida, mas acredita-se que ocorra devido a uma correção muito rápida da glicemia e da osmolalidade, causando um desequilíbrio osmótico entre o cérebro e o plasma, com influxo de água para o cérebro. A complicação mais temida e fatal do tratamento da CAD em crianças é o edema cerebral. Sinais de alerta incluem deterioração do nível de consciência, bradicardia, cefaleia e hipertensão. A ocorrência de redução do nível de consciência e bradicardia após o início do tratamento é altamente sugestiva de edema cerebral. O tratamento de escolha para o edema cerebral é a administração intravenosa de manitol (0,5 a 1,0 g/kg) ou solução salina hipertônica, visando reduzir a pressão intracraniana. A monitorização neurológica rigorosa é fundamental.
Sinais de alerta incluem cefaleia persistente, alteração do nível de consciência (irritabilidade, letargia, coma), bradicardia, hipertensão, papiledema e alterações neurológicas focais.
O edema cerebral pode ocorrer devido a mudanças rápidas na osmolalidade sérica durante a hidratação e insulinoterapia, levando a um influxo de água para as células cerebrais, especialmente se a correção for muito agressiva ou rápida.
O manitol é um diurético osmótico que atua retirando água do espaço intracelular cerebral para o espaço intravascular, reduzindo a pressão intracraniana e o edema cerebral. É a primeira linha de tratamento para essa complicação.
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