HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022
Escolar, sexo masculino, 7 anos de idade, tem história de 3 dias de dor abdominal difusa, de forte intensidade, acompanhada de vômitos (3 vezes ao dia). Não há febre ou diarreia. Está em uso de dimenidrato, sem melhora. A mãe acha que é a “garganta”, pois está com “cheiro ruim na boca”. Notou emagrecimento no último mês, embora não consiga quantificá-lo. Hoje apresentou piora do quadro, sonolência e dificuldade para respirar. Apresenta-se, no exame físico, em regular estado geral, desidratado, acianótico, afebril e taquipneico. No exame neurológico, leve sonolência, mas responde aos estímulos ao contato e está orientado. Ausculta cardíaca sem alterações, com frequência cardíaca de 140 batimentos/minuto e PA de 92 x 56 mmHg. Tempo de enchimento capilar = 4 segundos. Ausculta respiratória sem alterações, com saturação de O₂ de 97%. O abdome está plano, flácido, difusamente doloroso, com ruídos presentes. Hiperemia de orofaringe. Demais exame físico sem alterações. A principal hipótese diagnóstica é:
Criança com dor abdominal, vômitos, taquipneia e sonolência → suspeitar de Cetoacidose Diabética (CAD).
A cetoacidose diabética em crianças pode mimetizar um abdome agudo, mas a presença de taquipneia (respiração de Kussmaul), desidratação, sonolência e hálito cetônico (cheiro ruim na boca) são pistas cruciais para o diagnóstico de CAD, uma emergência metabólica.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do Diabetes Mellitus tipo 1, especialmente comum em crianças e adolescentes, sendo a principal causa de morbimortalidade nessa faixa etária. Sua incidência tem aumentado, e o reconhecimento precoce é crucial para um desfecho favorável. A CAD resulta da deficiência de insulina, levando à hiperglicemia, cetogênese e acidose metabólica. Clinicamente, manifesta-se com poliúria, polidipsia, polifagia, emagrecimento, dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação, taquipneia (respiração de Kussmaul), hálito cetônico e alteração do nível de consciência. O diagnóstico é laboratorial, mas a suspeita clínica é fundamental. O tratamento da CAD é uma emergência e envolve hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia contínua, correção de eletrólitos (especialmente potássio) e monitorização rigorosa. Complicações como edema cerebral são raras, mas devastadoras, e a prevenção é feita com manejo adequado da hidratação e insulina.
Os sinais de alerta incluem dor abdominal, vômitos, taquipneia (respiração de Kussmaul), desidratação, sonolência, hálito cetônico e emagrecimento recente.
A dor abdominal na CAD geralmente é difusa e não localizada, acompanhada de outros sinais sistêmicos como taquipneia e alteração do nível de consciência, que não são típicos de abdome agudo cirúrgico.
A taquipneia na CAD, conhecida como respiração de Kussmaul, é um mecanismo compensatório para eliminar CO2 e tentar corrigir a acidose metabólica grave.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo