Cetoacidose Diabética: Acidose Hiperclorêmica Pós-Tratamento

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

FTS, 4 anos, 16 kg, masculino, teve diagnóstico diabetes há 9 meses, chegou no pronto-socorro com quadro de desidratação, dor abdominal, hálito cetônico e os seguintes exames: Glicose = 760 mg/dL; Na =130 mEq/L; K = 4,4 mEq/L. Recebeu 1.500 mL de Soro fisiológico (SF 0,9%) e insulina regular contínua por 6 horas. Os exames após esse período são: pH = 7,1; pCO2 = 20; Bic = 12; Na = 138; Cl = 117; K = 3,5; glicose = 180. A provável etiologia da acidose ao final das 6 horas do tratamento inicial é:

Alternativas

  1. A) Acidose por acúmulo de ácidos não mensuráveis, pois ânion gap é normal.
  2. B) Acidose hiperclorêmica, pois ânion gap é aumentado.
  3. C) Acidose hiperclorêmica, pois ânion gap é normal.
  4. D) Acidose por acúmulo de ácidos não mensuráveis pois ânion gap é aumentado.

Pérola Clínica

Tratamento de CAD com SF 0,9% pode levar a acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal após resolução da cetoacidose.

Resumo-Chave

Durante o tratamento da cetoacidose diabética, a rápida expansão volêmica com soro fisiológico 0,9% (que possui alta concentração de cloro) e a resolução da cetoacidose podem levar a uma acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal. É importante monitorar o balanço eletrolítico e o estado ácido-base.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com DM tipo 1. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. O manejo inicial envolve hidratação vigorosa com fluidos intravenosos e insulinoterapia contínua. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência de insulina, que leva à hiperglicemia, lipólise e produção de cetoácidos, resultando em acidose metabólica com ânion gap elevado. O tratamento visa corrigir a desidratação, a hiperglicemia e a acidose. Durante o tratamento, especialmente após a correção da cetoacidose, é comum observar o desenvolvimento de acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal. Isso ocorre devido à administração de grandes volumes de soro fisiológico 0,9%, que é rico em cloreto, e à perda de bicarbonato pelos rins. É crucial entender essa transição para evitar intervenções desnecessárias e focar na correção dos distúrbios eletrolíticos.

Perguntas Frequentes

Como o ânion gap é calculado e qual sua importância na acidose metabólica?

O ânion gap é calculado por Na+ - (Cl- + HCO3-). Ele ajuda a diferenciar as causas de acidose metabólica em acidoses com ânion gap elevado (ex: cetoacidose, acidose láctica) e acidoses com ânion gap normal (ex: acidose hiperclorêmica).

Por que a fluidoterapia com soro fisiológico 0,9% pode causar acidose hiperclorêmica?

O soro fisiológico 0,9% contém uma concentração de cloro maior que a do plasma, e a administração de grandes volumes pode levar a um aumento do cloro sérico, resultando em acidose metabólica hiperclorêmica.

Qual a diferença entre acidose metabólica com ânion gap elevado e normal?

Na acidose com ânion gap elevado, há acúmulo de ácidos não mensuráveis (como cetoácidos ou lactato). Na acidose com ânion gap normal (hiperclorêmica), a diminuição do bicarbonato é compensada por um aumento do cloro, mantendo o ânion gap dentro da normalidade.

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