Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024

Enunciado

Escolar, previamente hígido, 6 anos, com história de cansaço progressivo com piora nos últimos 2 dias, foi admitido na unidade de pronto atendimento. Negou febre, mas com eventos esporádicos de vômitos. Ao exame físico: sonolento, emagrecido, hipocorado (2+/4+), desidratado, FR 35irpm, MV simétrico e sem ruídos adventícios, abdome pouco distendido, perfusão 4 seg. Assinale a alternativa que melhor define um possível diagnóstico, a investigação para confirmação e conduta inicial.

Alternativas

  1. A) Pneumonia bacteriana, RX de tórax, iniciar amoxicilina.
  2. B) Cetoacidose diabética, glicemia, EAS, gasometria, fazer expansão volêmica.
  3. C) Cetoacidose diabética, glicemia, EAS, gasometria, insulinoterapia.
  4. D) Pneumonia bacteriana, HMG e PCR, iniciar ampicilina.

Pérola Clínica

Criança com desidratação, sonolência, taquipneia e perfusão >3s → suspeitar de Cetoacidose Diabética (CAD).

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética em crianças pode se apresentar com sintomas inespecíficos como cansaço, vômitos e desidratação. A taquipneia (respiração de Kussmaul) é um sinal de acidose metabólica compensatória. A conduta inicial é a expansão volêmica cuidadosa antes da insulinoterapia.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado. Sua incidência varia, mas é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças diabéticas. É crucial para o residente reconhecer seus sinais precocemente para um manejo adequado. A fisiopatologia envolve deficiência de insulina, levando à hiperglicemia, glicosúria osmótica e desidratação. A falta de insulina também promove lipólise e formação de corpos cetônicos, resultando em acidose metabólica. A suspeita deve surgir em crianças com desidratação, vômitos, dor abdominal, alteração do nível de consciência e taquipneia. A investigação inclui glicemia, gasometria arterial ou venosa, eletrólitos, ureia, creatinina e exame de urina para cetonúria. O tratamento inicial foca na expansão volêmica com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e restaurar a perfusão. Após a estabilização volêmica, inicia-se a insulinoterapia intravenosa em bomba de infusão. O monitoramento rigoroso de eletrólitos, glicemia e estado ácido-base é essencial para prevenir complicações como edema cerebral, que é a complicação mais temida e fatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da cetoacidose diabética em crianças?

Os sinais incluem cansaço, vômitos, desidratação, sonolência, taquipneia (respiração de Kussmaul) e, em casos graves, alteração do nível de consciência.

Qual a conduta inicial prioritária no manejo da cetoacidose diabética pediátrica?

A conduta inicial é a expansão volêmica com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão, antes de iniciar a insulinoterapia.

Por que a taquipneia é um achado comum na cetoacidose diabética?

A taquipneia, ou respiração de Kussmaul, é uma resposta compensatória do organismo à acidose metabólica grave, buscando eliminar CO2 e, assim, reduzir a acidez sanguínea.

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