HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2022
Durante um atendimento de emergência, a mãe de uma criança de 5 anos de idade lhe informa que a criança está se queixando de muita dor abdominal, iniciada há 2 dias. Chegou a fazer medicação para dor, porém, sem boa resposta. Durante o exame físico, você evidencia rubor facial, desidratação, taquicardia, hipotensão, redução da perfusão periférica, hiperventilação (respiração de Kussmaul). Diante do caso, a sua principal hipótese diagnóstica é de:
Criança com dor abdominal, desidratação, choque e respiração de Kussmaul → Cetoacidose Diabética até prova em contrário.
A cetoacidose diabética (CAD) em crianças pode se apresentar com dor abdominal intensa, desidratação, sinais de choque e a clássica respiração de Kussmaul (hiperventilação compensatória da acidose metabólica). É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado ou em tratamento inadequado. É uma emergência pediátrica que exige reconhecimento rápido e manejo agressivo para evitar morbidade e mortalidade significativas. A apresentação clínica pode ser variada, mas a combinação de dor abdominal, desidratação e alterações respiratórias é altamente sugestiva. A fisiopatologia da CAD envolve deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia, lipólise e cetogênese. A hiperglicemia causa diurese osmótica, resultando em desidratação e desequilíbrio eletrolítico. A produção excessiva de corpos cetônicos leva à acidose metabólica, que o corpo tenta compensar através da hiperventilação (respiração de Kussmaul) para eliminar CO2. A dor abdominal é um sintoma comum na CAD e pode mimetizar um abdome agudo cirúrgico, o que torna o diagnóstico diferencial um desafio. Para residentes, é fundamental estar atento aos sinais de alerta da CAD, como a tríade de poliúria, polidipsia e perda de peso, e reconhecer a gravidade do quadro com a presença de desidratação, choque e respiração de Kussmaul. O tratamento envolve hidratação vigorosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a complicações graves, incluindo edema cerebral, tornando este um tópico de alta relevância para a prática clínica e para exames de residência.
Os sinais e sintomas incluem poliúria, polidipsia, perda de peso, dor abdominal, náuseas/vômitos, desidratação, taquicardia, hipotensão, redução da perfusão periférica e a respiração de Kussmaul (hiperventilação profunda e rápida).
A respiração de Kussmaul é um mecanismo compensatório do corpo para a acidose metabólica grave. O aumento da frequência e profundidade respiratória visa eliminar o dióxido de carbono (CO2), reduzindo a concentração de ácido carbônico e, consequentemente, elevando o pH sanguíneo.
Embora a dor abdominal na CAD possa ser intensa, a presença de outros sinais sistêmicos como a respiração de Kussmaul, desidratação grave e, laboratorialmente, hiperglicemia, cetonúria e acidose metabólica, aponta para CAD. A avaliação cuidadosa e exames laboratoriais são cruciais.
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