AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022
Escolar de 8 anos apresenta quadro de dor abdominal, náuseas e vômitos, fraqueza e diminuição do nível de consciência há 2 dias. Nas últimas semanas refere quadro de aumento de apetite e sede excessiva, acompanhado de poliúria. Ao exame afebril, frequência cardíaca de 100 bpm, pressão arterial normal para idade, respiração pesada e rápida, sem sons adventícios. Exames mostram uma glicemia de 450, sódio 155, potássio 4,1, gasometria com pH 7,01, pCO2 20, pO2 120, bicarbonato 9, urina com glicosúria e cetonúria. Baseado na principal hipótese diagnóstica analise as asserções abaixo e a relação proposta entre elas. I – Depois de medidas iniciais de ressuscitação, mesmo estando com quadro de hiperosmolaridade sérica, a infusão de insulina deve ser iniciada sem um bôlus e a reidratação deve ser cautelosa para não haver correção muito rápida da osmolaridade.PORQUEII – A correção rápida da osmolaridade está relacionada com risco aumentado de desenvolver edema cerebral, que é a principal causa de mortalidade nestes pacientes.A respeito destas asserções, assinale a opção correta.
CAD pediátrica: reidratação cautelosa e insulina sem bolus → Prevenir edema cerebral por correção rápida da osmolaridade.
O quadro clínico e laboratorial (hiperglicemia, acidose metabólica, cetonúria) é compatível com cetoacidose diabética (CAD). Em crianças, a correção rápida da hiperosmolaridade, seja por hidratação agressiva ou bolus de insulina, pode levar a um desequilíbrio osmótico entre o sangue e o cérebro, resultando em edema cerebral, a complicação mais temida e letal da CAD pediátrica.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado ou em pacientes com diabetes estabelecido que apresentam interrupção da insulinoterapia ou infecção. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. Os sintomas incluem poliúria, polidipsia, perda de peso, dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação e, em casos graves, alteração do nível de consciência e respiração de Kussmaul. O manejo da CAD pediátrica é complexo e visa corrigir a desidratação, a acidose e a hiperglicemia, além de repor eletrólitos. A reidratação deve ser cautelosa e gradual, utilizando soro fisiológico 0,9% inicialmente, para evitar uma correção muito rápida da osmolaridade plasmática. A insulina deve ser administrada por infusão contínua em baixa dose, sem bolus inicial, para reduzir a glicemia e suprimir a cetogênese de forma controlada. A principal e mais temida complicação da CAD em crianças é o edema cerebral, que é a principal causa de mortalidade. O edema cerebral pode ser precipitado por uma queda muito rápida da osmolaridade plasmática, seja por reidratação agressiva ou por uma redução abrupta da glicemia com bolus de insulina. Isso cria um gradiente osmótico que move a água para o cérebro. Portanto, o monitoramento rigoroso do estado neurológico, dos eletrólitos e da osmolaridade, juntamente com a reidratação e insulinoterapia cuidadosas, são cruciais para prevenir essa complicação.
Os sinais e sintomas incluem poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação, respiração de Kussmaul, hálito cetônico e, em casos graves, alteração do nível de consciência.
A infusão de insulina deve ser iniciada sem bolus para evitar uma queda muito rápida da glicemia e, consequentemente, da osmolaridade plasmática, o que pode precipitar o edema cerebral ao criar um gradiente osmótico desfavorável.
A principal complicação é o edema cerebral. A prevenção envolve reidratação cautelosa e gradual, infusão contínua de insulina em baixa dose sem bolus inicial, e monitoramento rigoroso do estado neurológico e dos eletrólitos.
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