Cetoacidose Diabética Pediátrica: Manejo da Glicemia

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

Fernanda, oito anos, é trazida à emergência, após ser encontrada desacordada em casa. A família informa que a criança tem DM tipo 01. Ao exame físico: EGMau, sonolenta, desidratada, taquipneica, hálito frutado. AR: MV+ diminuído em base esquerda com crepitantes finos, FR: 28 ipm, Sat.O2: 92% (ar ambiente). ACV: RCR 2T BNF, sem sopros, FC: 130 bpm, TPC: 4 segundos, PA: 85:55 mmHg. Os exames laboratoriais de admissão mostraram: Glicemia = 600 mg/dL, pH = 7,25, Cetonas = 4+ na urina. Após quatro horas de infusão de soro fisiológico e insulina, a glicose caiu para 235mg/dL e o pH estabilizou em 7,32, com corpos cetônicos ainda presentes na urina. A conduta, nesse momento, deve ser:

Alternativas

  1. A) Trocar a insulina IV para insulina de ação prolongada IM + solução de glicose a 5%. 
  2. B) Manter infusão de insulina IV e associar glicose a 5% ao soro fisiológico IV.
  3. C) Trocar a insulina IV para insulina de ação prolongada IM + soro fisiológico IV.
  4. D) Manter infusão de insulina IV + soro fisiológico IV.
  5. E) Nenhuma das anteriores está correta.

Pérola Clínica

Na CAD, ao normalizar glicemia mas manter cetonemia/acidose, adicione glicose IV e mantenha insulina.

Resumo-Chave

Em cetoacidose diabética, a redução da glicemia para níveis próximos do normal, enquanto a acidose e a cetonemia persistem, indica a necessidade de adicionar glicose à infusão intravenosa. Isso permite continuar a infusão de insulina para resolver a cetonemia e a acidose, sem causar hipoglicemia iatrogênica.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do Diabetes Mellitus tipo 1, especialmente em crianças, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência médica que requer manejo intensivo e cuidadoso para evitar complicações graves, como edema cerebral. O tratamento da CAD envolve hidratação intravenosa agressiva, infusão contínua de insulina e correção dos distúrbios eletrolíticos. A insulina é fundamental para reverter a cetoacidose, inibindo a lipólise e a cetogênese. No entanto, à medida que a glicemia começa a cair (geralmente abaixo de 250 mg/dL), é crucial adicionar glicose à solução intravenosa. A adição de glicose (geralmente a 5%) à infusão é necessária para permitir que a insulina continue sendo administrada em dose suficiente para resolver a cetonemia e a acidose, sem precipitar hipoglicemia. A interrupção prematura da insulina ou a não adição de glicose pode prolongar a cetoacidose ou causar hipoglicemia, que também é perigosa. O monitoramento contínuo de glicemia, eletrólitos, pH e cetonas é essencial até a resolução completa da CAD.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo principal do tratamento da cetoacidose diabética (CAD)?

O objetivo principal do tratamento da CAD é corrigir a desidratação, a acidose metabólica e a cetonemia, além de normalizar a glicemia. A resolução da cetoacidose é mais importante que apenas a normalização da glicemia.

Por que adicionar glicose IV quando a glicemia normaliza na CAD?

Deve-se adicionar glicose a 5% ou 10% à infusão intravenosa quando a glicemia atinge cerca de 200-250 mg/dL, mesmo que a acidose e a cetonemia persistam. Isso permite manter a infusão de insulina para resolver a cetoacidose sem induzir hipoglicemia iatrogênica.

Quais são os critérios para a resolução da cetoacidose diabética?

A resolução da cetoacidose diabética é definida por um pH venoso > 7,30, bicarbonato sérico > 15 mEq/L e fechamento do ânion gap, além da ausência de cetonúria significativa. A normalização da glicemia isoladamente não indica resolução completa.

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