USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Caso 7Paciente, 4 anos, com diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 1 há 5 meses, em uso irregular de insulina NPH, foi trazido ao departamento de emergência devido ao quadro de dor abdominal intensa há 3 dias, referindo vômitos, “cansaço” e diurese abundante.Ao exame clínico, paciente em regular estado geral, mucosas secas e olhos encovados, FC 145 bpm, FR 44 irpm, PA 96x50 mmHg, pulsos finos, extremidades frias com tempo de enchimento capilar de 6 segundos. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações.Na 2ª hora após a admissão, o paciente apresentava melhora dos parâmetros hemodinâmicos, porém ainda mantinha náuseas e não conseguia se alimentar.Qual é a tabela que apresenta as intervenções adequadas para cada momento da evolução da paciente desde o momento da admissão (entrada) até a quarta hora de atendimento?
DKA pediátrica: priorizar hidratação cautelosa (SF 0,9% 10 mL/kg/h) e iniciar insulina EV após 1-2h de fluidos.
O manejo inicial da cetoacidose diabética pediátrica foca na correção da desidratação e acidose. A hidratação deve ser cuidadosa para evitar edema cerebral, e a insulina deve ser iniciada após a fase inicial de hidratação, quando a estabilidade hemodinâmica é alcançada e a hipocalemia é corrigida.
A cetoacidose diabética (DKA) é uma complicação aguda grave do Diabetes Mellitus tipo 1 em crianças, frequentemente precipitada por infecções ou adesão irregular à insulina. É uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e manejo agressivo para prevenir morbidade e mortalidade significativas. A DKA é caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. A fisiopatologia da DKA envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à gliconeogênese e glicogenólise hepática, resultando em hiperglicemia. A falta de insulina também promove a lipólise e a formação de corpos cetônicos, causando acidose metabólica. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com glicemia >200 mg/dL, pH <7.3, bicarbonato <15 mEq/L e cetonúria/cetonemia. A suspeita deve ser alta em crianças com DM1 que apresentam sintomas como dor abdominal, vômitos, polidipsia e alteração do estado geral. O tratamento da DKA visa corrigir a desidratação, acidose e hiperglicemia. A hidratação inicial com soro fisiológico é crucial para restaurar o volume intravascular e melhorar a perfusão. A insulinoterapia deve ser iniciada após a fase inicial de hidratação e correção de eletrólitos, especialmente o potássio, para evitar hipocalemia. O monitoramento rigoroso de eletrólitos, glicemia, pH e estado neurológico é fundamental para evitar complicações como o edema cerebral, que é a complicação mais temida e fatal da DKA pediátrica.
Os sinais e sintomas incluem poliúria, polidipsia, perda de peso, dor abdominal, náuseas, vômitos, respiração de Kussmaul, hálito cetônico e alteração do nível de consciência, refletindo desidratação e acidose.
A conduta inicial é a administração de soro fisiológico 0,9% em bolus de 10-20 mL/kg em 15-20 minutos, repetindo se necessário. Após a estabilização hemodinâmica, a infusão contínua de fluidos deve ser ajustada para corrigir o déficit de água lentamente.
A insulinoterapia deve ser iniciada após 1-2 horas de hidratação inicial, quando a estabilidade hemodinâmica é alcançada e o potássio sérico é normal ou elevado. A insulina é administrada por infusão contínua intravenosa em baixa dose (0,05-0,1 U/kg/hora).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo