CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2015
No pronto atendimento chega uma menina de 4 anos, afebril, que apresenta desidratação leve, polifagia, polidipsia, enurese, perda de 2 kg em 1 mês, taquicardia, respiração de Kussmaul. Aos exames pH sanguíneo de 7,2 e glicemia de 300 mg/dL. São complicações decorrentes do tratamento deste quadro, exceto:
Tratamento CAD pediátrica: hipopotassemia, hipoglicemia e edema cerebral são complicações comuns. Necrose adrenal NÃO é.
O tratamento da cetoacidose diabética em crianças, embora vital, pode levar a complicações como hipopotassemia (devido à entrada de potássio nas células com insulina), hipoglicemia e, mais gravemente, edema cerebral. Necrose adrenal não é uma complicação direta do tratamento.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência pediátrica grave, sendo a principal causa de morbimortalidade em crianças com diabetes mellitus tipo 1. O quadro clínico, como descrito na questão, com polifagia, polidipsia, enurese, perda de peso, taquicardia e respiração de Kussmaul, associado a acidose metabólica e hiperglicemia, é altamente sugestivo de CAD. O tratamento visa corrigir a desidratação, a acidose e a hiperglicemia, mas deve ser conduzido com extrema cautela devido ao risco de complicações iatrogênicas. As complicações mais temidas do tratamento da CAD em crianças incluem hipopotassemia, hipoglicemia e, a mais grave, edema cerebral. A hipopotassemia ocorre porque a insulina promove a entrada de potássio para o interior das células, e a correção da acidose também contribui para essa movimentação. A hipoglicemia é um risco se a dose de insulina não for ajustada conforme a queda da glicemia. O edema cerebral, embora raro, é a complicação mais letal, sendo multifatorial e associado a uma correção muito rápida da osmolalidade plasmática ou hidratação excessiva. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam cientes dessas complicações para monitorar de perto os pacientes e ajustar o tratamento conforme necessário. A necrose adrenal, por outro lado, não é uma complicação direta do tratamento da CAD, mas sim uma condição que pode estar associada a outras patologias ou ser um fator precipitante da própria CAD. O manejo da CAD exige um equilíbrio delicado entre a correção dos distúrbios metabólicos e a prevenção de iatrogenias.
O edema cerebral na CAD é multifatorial, mas pode ser precipitado por uma correção muito rápida da glicemia ou da osmolalidade plasmática, ou por uma hidratação excessiva, causando um influxo de água para as células cerebrais.
A hipopotassemia é prevenida com a administração de potássio nos fluidos intravenosos, geralmente após o início da insulinoterapia e quando os níveis séricos de potássio começam a cair ou estão normais/baixos.
Sinais de alerta incluem cefaleia intensa, alteração do nível de consciência, bradicardia, hipertensão, papiledema e déficits neurológicos focais, exigindo intervenção imediata.
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