Cetoacidose Diabética Pediátrica: Sinais e Diagnóstico Rápido

SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 8 anos de idade, sem antecedentes de doenças anteriores. Há um dia iniciou vômitos e dor abdominal difusa, sem diarreia ou febre. Ao exame está sonolento, pulsos finos, mucosas secas, FC= 145 bpm e FR= 39 irpm, sem retrações. A ausculta respiratória e cardíaca normais. Abdômen pouco doloroso à palpação, descompressão brusco negativa. Paciente refere sede e mãe relata emagrecimento nas últimas 3 semanas.Qual o diagnóstico provável?

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda.
  2. B) Gastroenterite aguda.
  3. C) Infecção do trato urinário.
  4. D) Pneumonia com derrame pleural.
  5. E) Cetoacidose diabética.

Pérola Clínica

Criança com vômitos, dor abdominal, desidratação, taquipneia, taquicardia + emagrecimento recente → suspeitar CAD.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética em crianças pode mimetizar um abdome agudo, com vômitos e dor abdominal difusa. A presença de desidratação, taquipneia (respiração de Kussmaul), taquicardia e emagrecimento recente são pistas cruciais para o diagnóstico de DM1 descompensado.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda e grave do diabetes mellitus tipo 1, sendo uma das principais causas de morbimortalidade em crianças e adolescentes com DM1. Frequentemente, é a primeira manifestação do diabetes tipo 1 em crianças, que chegam à emergência em estado grave. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia, cetogênese e acidose metabólica. Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como polidipsia, poliúria e emagrecimento. No entanto, com a progressão para CAD, surgem sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal difusa (que pode mimetizar um abdome agudo), desidratação, taquicardia, taquipneia (respiração de Kussmaul compensatória da acidose) e alteração do nível de consciência. O hálito cetônico, com odor frutado, é um sinal clássico. O diagnóstico é confirmado por hiperglicemia, acidose metabólica e presença de cetonas. O tratamento da CAD é uma emergência médica que exige internação em unidade de terapia intensiva, com reposição volêmica cuidadosa, insulinoterapia endovenosa contínua, correção de distúrbios eletrolíticos (especialmente potássio) e monitorização rigorosa para evitar complicações como o edema cerebral, a complicação mais temida e fatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para cetoacidose diabética em crianças?

Os critérios incluem hiperglicemia (>200 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3 e/ou bicarbonato <15 mEq/L) e cetonúria/cetonemia significativas, confirmando a descompensação diabética.

Por que a cetoacidose diabética pode causar dor abdominal e vômitos?

A dor abdominal e os vômitos na CAD são causados pela acidose metabólica grave, irritação peritoneal devido à inflamação sistêmica e, em alguns casos, gastroparesia, mimetizando um abdome agudo.

Quais exames laboratoriais são essenciais para confirmar a cetoacidose diabética?

Glicemia, gasometria arterial ou venosa (pH, bicarbonato), eletrólitos (sódio, potássio), ureia, creatinina e pesquisa de corpos cetônicos na urina ou sangue são fundamentais para o diagnóstico.

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