Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Escolar, sexo feminino, 9 anos de idade, previamente hígida, é levada pela mãe à UPA com história de fraqueza, episódios repetidos de náusea e vômito, dor abdominal em hipocôndrio bilateral e inapetência há 04 dias, com piora no último dia. Negou febre e referiu sintomas gripais ocorridos 10 dias antes. Há 3 meses voltou a fazer xixi na cama durante a noite, que se acentuou na última semana, e vem perdendo peso, cerca de 4 kg. Negou antecedentes mórbidos, alergias ou uso contínuo de medicamentos. Referiu vacinação em dia. Negou doenças na família. Exame Físico: REG, desidratada (+++/4+), hipocorada (++/4+), eupneica, afebril, PA 100x80 mmHg, peso 26,5 kg (pesava 30 kg), FR 22 ipm, FC 159 bpm, saturando 97% em ar ambiente, presença de enantema e fissura labial. Ritmo cardíaco regular, murmúrios vesiculares universalmente audíveis, abdome sem alterações e tempo de enchimento capilar igual a três segundos. Ao exame neurológico, apresentou-se sonolenta, reativa, sem sinais meníngeos, escala de coma de Glasgow 14 e presença de fraqueza em membros inferiores. Foram solicitados de imediato os seguintes exames laboratoriais: Radiografia de tórax sem alterações significantes, ECG sem alterações significantes, hemograma com presença de leucocitose sem desvio e com aumento de linfócitos, gasometria arterial com pH=7,16, HCO₃= 5,5 e BE=-24,4. EAS com cetonúria (+++) e glicosúria (++++) e glicemia de 380 mg/dL. Qual a principal hipótese diagnóstica? 

Alternativas

  1. A) Cetoacidose diabética 
  2. B) Diabetes Mellitus tipo I 
  3. C) Diabetes Mellitus tipo II 
  4. D) Pancreatite aguda viral 

Pérola Clínica

Cetoacidose diabética pediátrica = hiperglicemia + acidose metabólica + cetonúria.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes, frequentemente a primeira manifestação do Diabetes Mellitus tipo 1 em crianças. A tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonúria/cetonemia é diagnóstica, exigindo reconhecimento e tratamento urgentes para evitar complicações neurológicas e eletrolíticas.

Contexto Educacional

A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do Diabetes Mellitus, mais comum no tipo 1, especialmente em crianças e adolescentes. Representa uma emergência médica que pode ser a primeira manifestação do diabetes em até 30% dos casos pediátricos. Sua incidência tem aumentado, e o reconhecimento precoce é crucial para prevenir morbidade e mortalidade significativas. A fisiopatologia da CAD envolve uma deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia e, em paralelo, ao aumento dos hormônios contrarreguladores (glucagon, catecolaminas, cortisol). Isso promove gliconeogênese, glicogenólise e lipólise, resultando em hiperglicemia, desidratação osmótica, e produção excessiva de corpos cetônicos, que causam acidose metabólica. Os sintomas incluem poliúria, polidipsia, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal e alteração do nível de consciência. O tratamento da CAD visa corrigir a desidratação, a acidose e a hiperglicemia. Inclui reposição volêmica cuidadosa com soro fisiológico, insulinoterapia intravenosa em bomba de infusão, correção de distúrbios eletrolíticos (especialmente potássio) e monitoramento rigoroso. Complicações como edema cerebral são raras, mas devastadoras, e a prevenção é feita com manejo cauteloso da hidratação e da queda da glicemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética em crianças?

Os critérios incluem hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7.3 e/ou HCO3 < 15 mEq/L) e cetonúria/cetonemia significativa. A gravidade é classificada pelo pH e bicarbonato.

Por que a cetoacidose diabética causa dor abdominal e vômitos?

A dor abdominal e os vômitos na CAD são multifatoriais, relacionados à acidose metabólica, desidratação, distúrbios eletrolíticos e retardo do esvaziamento gástrico. Geralmente melhoram com a reposição volêmica e insulinoterapia.

Quais são os principais diferenciais da cetoacidose diabética em crianças?

Os diferenciais incluem outras causas de acidose metabólica (ex: intoxicações, insuficiência renal), gastroenterite grave com desidratação, e abdome agudo cirúrgico, embora a combinação de hiperglicemia e cetonúria seja bastante específica.

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