SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020
Uma criança de 7 anos de idade, feminino, é levada pela sua mãe ao pronto atendimento infantil com vários episódios de vômitos e dor abdominal nas últimas 3 horas. A mãe relata que a criança no último mês e está urinando excessivamente e comendo muito mais do que o habitual, porém com aspecto de mais magro. Ao exame físico apresenta-se com estado geral comprometido, letárgica, olhos encovados, ao sinal da prega voltando muito lentamento ao estado inicial, frequência respiratória = 72 irpm. Aparelho respiratório com ausculta do murmúrio vesicular bem distribuído, sem ruídos adventícios. Os exames laboratoriais mostraram os seguintes achados: gasometria arterial com pH = 7,2; HCO3 = 12 mEq/L; PCO2 = 26 mmHg; PO2 = 90 mmHg; glicemia = 390 mg/dL; K = 3,8 mEq/L; Na = 140 mEq/L; ureia = 35 mg/dL; creatinina = 1 mg/dL. Hemograma: Hb = 12,3 g/dL; Ht = 35%; leucócitos = 9.800/mm³. Qual deveria ser a conduta imediata para esse caso?
CAD pediátrica: Corrigir desidratação com SF 0,9%, iniciar insulina EV e repor K+ quando glicemia ↓ ou K+ sérico ↓.
A criança apresenta cetoacidose diabética (CAD) grave, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e desidratação. A conduta inicial é a expansão volêmica com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão, seguida da administração de insulina endovenosa contínua. A reposição de potássio é crucial, mas geralmente iniciada após a fase inicial de expansão e insulina, ou quando o potássio sérico começa a cair.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave e potencialmente fatal do diabetes mellitus, especialmente em crianças. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria, resultantes da deficiência de insulina. O quadro clínico inclui desidratação, vômitos, dor abdominal, taquipneia (respiração de Kussmaul) e alteração do nível de consciência. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações como edema cerebral. O tratamento da CAD pediátrica é complexo e exige monitoramento intensivo. A prioridade inicial é a correção da desidratação e da hipovolemia com a administração de fluidos intravenosos, geralmente soro fisiológico 0,9%. Após a fase de expansão volêmica, inicia-se a infusão contínua de insulina endovenosa em bomba, para reduzir a glicemia e interromper a cetogênese. A insulina subcutânea não é apropriada na fase aguda. A reposição de eletrólitos, em particular o potássio, é um componente crítico do tratamento. Embora o potássio sérico possa estar normal ou elevado inicialmente devido à acidose, a correção da acidose e a ação da insulina levam o potássio para o interior das células, podendo causar hipocalemia grave. Portanto, a suplementação de potássio é geralmente iniciada quando a glicemia atinge cerca de 250-300 mg/dL ou quando o potássio sérico começa a diminuir, para prevenir arritmias cardíacas. O bicarbonato de sódio é raramente indicado e seu uso é controverso devido ao risco de piorar o edema cerebral.
Os critérios incluem hiperglicemia (>200 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7,3 e/ou HCO3 < 15 mEq/L) e cetonúria/cetonemia, geralmente acompanhados de desidratação e sintomas como poliúria, polidipsia e dor abdominal.
A reposição de potássio é vital porque a insulina e a correção da acidose levam o potássio para o intracelular, podendo causar hipocalemia grave e arritmias, mesmo com níveis séricos iniciais normais ou elevados.
A sequência ideal é iniciar com expansão volêmica vigorosa com soro fisiológico 0,9%, seguida pela infusão contínua de insulina endovenosa e monitoramento rigoroso de eletrólitos, especialmente potássio, que deve ser reposto conforme necessário.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo