INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020
Uma adolescente de 12 anos é atendida em serviço de urgência levada pelos pais que estão muito preocupados. Referem que ela iniciou há 24 horas com dor abdominal, náuseas e vômitos. Ela esteve há 2 dias em uma festa de aniversário onde comeu muitos doces. Relatam que a menina é saudável, mas tem perdido peso ultimamente, apesar de estar comendo muito e bebendo muita água. Está dormindo mal e tem acordado muito à noite para ir ao banheiro. Ao exame físico está desidratada, taquipneica, prostrada e com dor à palpação abdominal. Exames solicitados: glicemia: 800mg/dL; gasometria arterial: pH 7,0, HCO: 36, PCO2: 25, PO2 80; sódio: 126; potássio: 4,2; cloro: 102. Em relação ao tratamento dessa adolescente, é CORRETO afirmar que:
CAD pediátrica: repor potássio nos fluidos IV, mesmo com K+ normal, devido à depleção corporal total e shift intracelular.
A Cetoacidose Diabética (CAD) em crianças é uma emergência médica. Apesar do potássio sérico poder estar normal ou até elevado inicialmente, há uma depleção total de potássio corporal. A terapia com insulina e a correção da acidose levam o potássio para o compartimento intracelular, resultando em hipocalemia. Portanto, a reposição de potássio nos fluidos intravenosos é crucial, geralmente iniciada após a primeira hora de hidratação e quando a diurese está estabelecida.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1, e representa uma emergência pediátrica. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. Os sintomas incluem polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso, dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação e respiração de Kussmaul. O tratamento da CAD envolve hidratação intravenosa cuidadosa, insulinoterapia contínua e reposição de eletrólitos. A hidratação inicial visa restaurar o volume intravascular, mas deve ser feita de forma gradual para evitar edema cerebral. A insulina é administrada por infusão contínua para reduzir a glicemia e suprimir a cetogênese. A reposição de potássio é um pilar fundamental do tratamento. Mesmo com níveis séricos normais ou elevados na admissão, a depleção total de potássio é comum, e a insulinoterapia irá deslocar o potássio para o intracelular, precipitando hipocalemia. Portanto, o potássio deve ser adicionado aos fluidos intravenosos assim que a diurese for estabelecida e o potássio sérico começar a diminuir ou estiver no limite inferior da normalidade. A monitorização rigorosa de eletrólitos e o manejo gradual da glicemia são cruciais para prevenir complicações como o edema cerebral.
Apesar do potássio sérico poder estar normal ou elevado na apresentação da CAD, há uma depleção total de potássio corporal. A insulinoterapia e a correção da acidose movem o potássio do espaço extracelular para o intracelular, podendo causar hipocalemia grave e arritmias cardíacas se não for reposto.
A correção muito rápida da hiperglicemia pode levar a uma queda abrupta da osmolalidade plasmática, criando um gradiente osmótico que favorece o movimento de água para o cérebro, resultando em edema cerebral, uma complicação grave e potencialmente fatal da CAD.
O uso de bicarbonato de sódio na CAD pediátrica é controverso e geralmente não recomendado, exceto em casos de acidose extremamente grave (pH < 6.9) com instabilidade hemodinâmica, devido ao risco de piorar o edema cerebral, hipocalemia e acidose paradoxal do líquor.
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