HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2023
Menino, 5 anos de idade, é trazido à Emergência com relato de que estava na escola, apresentou dor abdominal, vomitou e passou a manifestar sonolência e letargia importantes. A professora assustou-se ao observar respirações longas e profundas. Ao interrogatório sistemático, a genitora informou que tem observado cansaço e alguma perda de peso há, aproximadamente, um mês. No momento, Peso: 16,8Kg. Ao exame, Escore de Glasgow (modificado para crianças): 11; Oximetria de pulso: 99% em uso de O₂ sob máscara; tempo de enchimento capilar: 3s; FC: 140bpm; PA: 90x50mmHg.Considerando o caso clinico, indique os exames essenciais que devem ser realizados de imediato, ainda na Emergência:
Criança com dor abdominal, vômitos, sonolência e Kussmaul → CAD até prova em contrário. Glicemia, cetonúria e hemogasometria são essenciais.
A apresentação clássica de cetoacidose diabética (CAD) em crianças inclui sintomas gastrointestinais, alteração do nível de consciência e respiração de Kussmaul, indicando acidose metabólica. A avaliação imediata com glicemia capilar, cetonúria e hemogasometria é crucial para confirmar o diagnóstico e iniciar o manejo adequado, que é tempo-sensível.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda e grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de morbimortalidade em crianças com diabetes tipo 1. É fundamental que residentes e estudantes de medicina estejam aptos a reconhecer seus sinais e sintomas precocemente, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a desfechos neurológicos graves, como edema cerebral, e até óbito. A prevalência de CAD ao diagnóstico de diabetes tipo 1 varia, mas é uma emergência pediátrica comum. Fisiopatologicamente, a CAD ocorre devido à deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia, cetogênese e acidose metabólica. A falta de insulina impede a captação de glicose pelas células e promove a lipólise, liberando ácidos graxos que são convertidos em corpos cetônicos. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a tríade de hiperglicemia (>200 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3 e bicarbonato <15 mEq/L) e cetonemia/cetonúria. A suspeita deve ser alta em crianças com sintomas inespecíficos como dor abdominal, vômitos, desidratação e alteração do nível de consciência. O tratamento da CAD envolve hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia contínua e reposição de eletrólitos, com monitoramento rigoroso do estado neurológico e metabólico. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, mas complicações como edema cerebral são temidas. A educação dos pais e pacientes sobre os sinais de alerta é crucial para prevenir episódios graves. A rápida identificação dos exames essenciais na emergência é o primeiro passo para um manejo eficaz e seguro.
Os sinais de alerta incluem dor abdominal, vômitos, polidipsia, poliúria, perda de peso, fadiga, sonolência, letargia e, em casos mais graves, respiração de Kussmaul (profunda e rápida) e hálito cetônico. A presença de qualquer um desses sintomas em uma criança deve levantar a suspeita.
Na suspeita de cetoacidose diabética pediátrica, os exames essenciais e imediatos são: glicemia capilar para confirmar hiperglicemia, cetonúria para detectar corpos cetônicos na urina e hemogasometria arterial ou venosa para avaliar o grau de acidose metabólica e o pH sanguíneo.
A respiração de Kussmaul é um mecanismo compensatório do corpo para tentar corrigir a acidose metabólica grave presente na CAD. Ao respirar de forma profunda e rápida, o organismo elimina mais dióxido de carbono (CO2), que é um ácido volátil, buscando aumentar o pH sanguíneo e reduzir a acidez.
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