UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020
Menina, 4 anos de idade, evoluindo com polidipsia, poliúria e polifagia há 15 dias. Nas últimas 24 horas apresentou náuseas, vômitos e dor abdominal de forte intensidade. A mãe refere perda de 5 Kg em 40 dias. Na admissão do pronto-socorro infantil, apresentava-se com estado geral regular, irritada, febril, sonolenta, taquipneia com FR de 48irpm, e presença de retrações intercostais, FC 150 bpm, pulsos filiformes, abdome doloroso, sem sinais de irritação peritoneal, saliva espessa com turgor diminuído. Os exames colhidos na admissão mostravam Sódio 130mEq/L, Potássio 6,7 mEq/L, Gasometria arterial com ph: 7,15, PCO2: 22mmHg, HCO3 8mEq/L , Cloreto 99Meq/L, Glicemia capilar 480 mmHg, Urina 1 com PH6,0, nitrito negativo, sem leucocitúria, cetonúria +++/4+, Leucograma 18500 (Neutrófilos 80%, Linfócitos 19%, Monócitos 1%). Considerando o principal diagnóstico para a paciente, assinale a alternativa que indica a conduta correta:
CAD pediátrica: evitar hiper-hidratação inicial para prevenir edema cerebral.
A reposição volêmica na CAD pediátrica deve ser cautelosa para evitar o risco de edema cerebral, uma complicação grave. A hiper-hidratação rápida pode levar a mudanças osmóticas que favorecem o inchaço cerebral.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria, resultantes da deficiência absoluta ou relativa de insulina. É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir morbidade e mortalidade significativas. O manejo da CAD envolve reposição volêmica, insulinoterapia e correção de distúrbios eletrolíticos. A fluidoterapia deve ser cuidadosamente planejada para corrigir a desidratação sem induzir edema cerebral, a complicação mais temida e letal. A hiper-hidratação e a correção rápida da glicemia podem levar a mudanças osmóticas cerebrais. A insulina deve ser administrada por infusão contínua, e o bicarbonato de sódio é raramente indicado, apenas em casos de acidose muito grave e refratária. O prognóstico da CAD depende da gravidade na apresentação e da rapidez e adequação do tratamento. O edema cerebral é a principal causa de morte em crianças com CAD e sua prevenção é primordial. Monitorização contínua de eletrólitos, glicemia e estado neurológico é crucial. A educação dos pais e pacientes sobre os sinais de alerta da CAD é fundamental para a prevenção de episódios graves.
Polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal, taquipneia (respiração de Kussmaul), sonolência e desidratação são comuns.
A hiper-hidratação rápida, especialmente com soluções hipotônicas, pode causar um rápido declínio da osmolalidade plasmática, levando à entrada de água nas células cerebrais e ao risco de edema cerebral.
A hipercalemia inicial na CAD é geralmente pseudohipercalemia ou redistributiva. A insulinoterapia e a hidratação corrigem a acidose e promovem o retorno do potássio para o intracelular, normalizando os níveis séricos.
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