FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022
Criança de 5 anos estava com dificuldade em ser despertada e, quando acordou, apresentou dor periumbilical intensa e vômitos. Havia usado aspirina e paracetamol, sem melhoras. Segundo o pai, a criança não tinha antecedentes mórbidos, mas havia perdido 3 kg no último mês. Na admissão no pronto-socorro, estava afebril, taquipneica e desidratada grave. Seus exames complementares iniciais mostraram radiografia de abdome agudo normal, hemoglobina de 13g/dl, leucócitos de 21.300/mm³ e plaquetas de 201.000/mm³, provas de função renal normais e acidose metabólica na gasometria arterial. O mais provável diagnóstico para este caso clínico é:
Criança com dor abdominal, vômitos, taquipneia, desidratação e acidose metabólica → suspeitar de Cetoacidose Diabética (CAD).
A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes mellitus tipo 1, frequentemente a primeira manifestação em crianças. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, manifestando-se com sintomas inespecíficos como dor abdominal, vômitos, desidratação e taquipneia (respiração de Kussmaul).
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda e grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de morbimortalidade em crianças com diabetes tipo 1. Frequentemente, a CAD é a primeira manifestação do diabetes tipo 1 em crianças, o que a torna um desafio diagnóstico, pois os sintomas podem ser inespecíficos e mimetizar outras condições pediátricas. A epidemiologia mostra que a incidência de diabetes tipo 1 está aumentando globalmente, e com ela, a de CAD. Residentes devem estar vigilantes para reconhecer essa condição. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia, lipólise e cetogênese. A falta de insulina impede a entrada de glicose nas células, que passam a usar gordura como fonte de energia, produzindo corpos cetônicos que acidificam o sangue. Os sintomas incluem polidipsia, poliúria, perda de peso, fadiga, dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação e a característica respiração de Kussmaul (taquipneia compensatória). O diagnóstico é confirmado pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. O tratamento da CAD é uma emergência e envolve hidratação intravenosa cuidadosa, insulinoterapia contínua, correção de eletrólitos (especialmente potássio) e monitorização rigorosa. O manejo inadequado pode levar a complicações graves, como edema cerebral, que é a principal causa de mortalidade. O prognóstico é favorável com tratamento precoce e adequado, mas a educação dos pais e da criança sobre o diabetes e seus sinais de alerta é fundamental para prevenir futuros episódios de CAD. Pontos de atenção incluem a velocidade da hidratação e da correção da glicemia para evitar o edema cerebral, e a monitorização contínua do estado neurológico.
Os critérios incluem hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH venoso < 7,3 ou bicarbonato < 15 mEq/L) e cetonemia/cetonúria moderada a grave. A presença de sintomas como polidipsia, poliúria, perda de peso e desidratação reforça o diagnóstico.
A taquipneia, conhecida como respiração de Kussmaul, é um mecanismo compensatório do corpo para tentar eliminar o excesso de CO2 e, assim, reduzir a acidose metabólica. É uma respiração profunda e rápida, característica da acidose grave.
Embora a dor abdominal na CAD possa ser intensa, ela geralmente não é localizada e não apresenta sinais de irritação peritoneal. A presença de taquipneia de Kussmaul, desidratação grave, acidose metabólica e história de perda de peso são fortes indicativos de CAD, enquanto exames de imagem (como radiografia de abdome) costumam ser normais na CAD.
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