Cetoacidose Diabética Pediátrica: Manejo e Prevenção de Edema

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma menina de doze anos de idade, com diagnóstico de diabetes mellitus há três anos, foi levada ao pronto-socorro com vômitos, oligúria e sinais de desidratação grave. Está orientada, taquicárdica, com respiração acidótica, pulsos presentes e pressão arterial normal para a idade. A glicemia capilar é de 450 mg/dL. A gasometria arterial mostra acidose metabólica com ph de 7,15 e bicarbonato de 9 mEq/L. O potássio é de 4,6 mEq/L. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para a paciente. 

Alternativas

  1. A) repor o deficit volêmico de 24 a 48 horas, para evitar edema cerebral
  2. B) administrar dose de ataque de insulina regular 0,1 UI/kg por via endovenosa
  3. C) aguardar diurese acima de 1 mL/kg/hora para iniciar a administração de potássio endovenoso 
  4. D) corrigir a acidose, com bicarbonato endovenoso, em quatro horas
  5. E) suspender a infusão contínua de insulina endovenosa assim que a glicemia ficar menor que 250 mg/dL, independentemente da cetonemia ou cetonúria 

Pérola Clínica

Na CAD pediátrica, reposição volêmica lenta (24-48h) é crucial para prevenir edema cerebral.

Resumo-Chave

A reposição volêmica na cetoacidose diabética pediátrica deve ser feita de forma gradual, geralmente ao longo de 24 a 48 horas, para evitar quedas rápidas da osmolaridade plasmática que podem precipitar o edema cerebral, uma complicação grave e potencialmente fatal.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência pediátrica grave, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, frequentemente precipitada por infecções ou falha na adesão à insulinoterapia. O manejo adequado é crucial para evitar complicações, sendo o edema cerebral a mais temida. O tratamento da CAD pediátrica envolve a reposição volêmica cuidadosa, a insulinoterapia e a correção dos distúrbios eletrolíticos. A reposição volêmica inicial deve ser feita com soro fisiológico, mas o déficit total deve ser reposto lentamente, ao longo de 24 a 48 horas, para evitar uma queda abrupta da osmolaridade plasmática que pode levar ao edema cerebral. A insulina deve ser administrada por infusão contínua, e não em bolus, após a expansão volêmica inicial. A reposição de potássio é quase sempre necessária, mesmo com níveis séricos normais, devido à depleção corporal total e ao risco de hipocalemia induzida pela insulina. O bicarbonato é raramente indicado, apenas em acidose muito grave e com cautela. A suspensão da insulina só ocorre quando a acidose é resolvida, não apenas pela normalização da glicemia.

Perguntas Frequentes

Qual a principal complicação a ser evitada na cetoacidose diabética pediátrica?

A principal complicação a ser evitada é o edema cerebral, que pode ser precipitado por uma correção muito rápida da glicemia ou da desidratação, levando a mudanças abruptas na osmolaridade.

Quando e como iniciar a insulina na cetoacidose diabética?

A insulina deve ser iniciada após a fase inicial de expansão volêmica, geralmente com uma infusão contínua de insulina regular (0,05-0,1 UI/kg/hora), e não como dose de ataque em bolus, para evitar queda rápida da glicemia.

Por que o potássio é importante no tratamento da CAD, mesmo com níveis normais?

Mesmo com potássio sérico normal ou elevado inicialmente, o potássio corporal total está depletado. A insulinoterapia e a correção da acidose levam o potássio para dentro da célula, podendo causar hipocalemia grave, por isso a reposição é quase sempre necessária após a diurese.

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