Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico e Sinais Chave

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2023

Enunciado

MLSS, 5 anos, branca, sexo feminino, natural de Campinas – SP. Queixa principal: prostração e sonolência há 2 dias. História da doença atual: Mãe refere que há 4 meses criança vinha apresentando poliúria e nictúria. Nega disúria. Associado, relata perda ponderal de 2kg em duas semanas. Há 5 dias relata febre diária, não aferida, sem outros sintomas associados. Há 2 dias apresentou piora com prostração, sonolência e dor abdominal difusa, constante, de pequena intensidade. Nega vômitos. Ao exame encontrava-se em: REG, prostrada, consciente, desidratada (++/4), eupnéica, afebril ao toque, acianótica, anictérica, taquidispnéica. Pele sem alterações. - AR: MVF +, sem RA - ACV: RCR 2T BNF, sem sopros - Abdômen: flácido, difusamente doloroso a palpação, sem VMG. - Extremidades: bem perfundidas, sem edemas - Nos exames complementares encontramos - Hemograma: 6100 leucócitos (29% segmentados, 0% bastões, 65% linfócitos, 1% eosinófilos, 0% basófilos, 5% monócitos). - Hb: 12,6 / HCT: 38,2% / HCM: 27,5 / VCM: 83,4 / CHCM: 33 - Plaquetas: 244000 - Eletrólitos: Na: 129 / K:4,6 / Ca: 6,9 / Mg: 1,5 - Uréia: 34 / Creatinina: 0,7 - EAS: densidade: 1025; pH: 5; proteínas, bilirrubina e hemoglobina ausentes. Corpos cetônicos: +++; glicose: +++; muco ++; FB escassa; piócitos raros - Gasometria: pH: 7,26 PO2: 87,1mmHg PCO2: 21mmHg HCO3: 9,3 BE: -17,6 SatO2: 93,9%. Diante do quadro clinico exposto acima, qual a principal hipótese diagnóstica? (Condutas Pediátricas em Pronto Atendimento e na Terapia intensiva 2a. edição, Editora Manole)

Alternativas

  1. A) Gastroenterite aguda
  2. B) Abdômen agudo
  3. C) Cetoacidose diabética
  4. D) Sepse
  5. E) Tubulopatia renal

Pérola Clínica

Poliúria, perda ponderal, taquidispneia + Glicemia alta, cetonúria, acidose metabólica = Cetoacidose Diabética.

Resumo-Chave

O quadro clínico de poliúria, nictúria e perda ponderal, associado a sintomas agudos como prostração, sonolência, dor abdominal e taquidispneia, em conjunto com exames laboratoriais de hiperglicemia, cetonúria e acidose metabólica com ânion gap elevado, é altamente sugestivo de cetoacidose diabética (CAD).

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado ou em pacientes com manejo inadequado da insulina. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetose, resultantes da deficiência absoluta ou relativa de insulina. A CAD é uma emergência pediátrica que requer reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir morbidade e mortalidade significativas. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência de insulina, que leva à incapacidade das células de utilizar glicose, resultando em hiperglicemia. Em resposta, o corpo mobiliza gorduras para energia, produzindo corpos cetônicos, que são ácidos e causam acidose metabólica. Os sintomas clássicos incluem poliúria, polidipsia, perda ponderal, fadiga, dor abdominal, náuseas, vômitos e, em casos graves, prostração, sonolência e respiração de Kussmaul. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais que mostram hiperglicemia, cetonemia/cetonúria e acidose metabólica com ânion gap elevado. O tratamento da CAD é complexo e visa corrigir a desidratação, a acidose e a hiperglicemia. Inclui hidratação intravenosa cautelosa, insulinoterapia contínua em baixa dose, reposição de eletrólitos (especialmente potássio) e monitoramento rigoroso. A principal complicação a ser evitada é o edema cerebral, que pode ser precipitado por uma correção muito rápida da glicemia ou da osmolalidade. O manejo deve ser feito em ambiente de terapia intensiva pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética em crianças?

Os critérios incluem hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7,3 e/ou HCO3 < 15 mEq/L) e cetonemia/cetonúria significativas.

Por que a criança com cetoacidose diabética apresenta taquidispneia?

A taquidispneia (respiração de Kussmaul) é uma resposta compensatória do organismo à acidose metabólica grave, buscando eliminar CO2 e, assim, reduzir a acidez sanguínea.

Quais são as complicações mais graves da cetoacidose diabética pediátrica?

As complicações mais graves incluem edema cerebral, hipoglicemia (durante o tratamento), hipocalemia, arritmias cardíacas e choque hipovolêmico.

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