Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2015
Paciente de 10 anos, sexo feminino, chegou ao Pronto-socorro com história de vômitos e prostração. A mãe referia que sua filha estava há 2 dias apática, com dor abdominal, respirando com dificuldade e fazendo xixi com frequência. Nega febre e qualquer outra sintomatologia, nega patologias pregressas. Ao exame, encontrava-se desidratada, com desconforto respiratório importante (respiração de Kusmaull), com dor difusa à palpação de abdome, RHA +; ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações; presença de Leucorreia importante à inspeção da genitália. O primeiro Médico que atendeu a criança solicitou um Hemograma que mostra Leucocitose com desvio à esquerda. Frente a esse quadro, qual é a conduta imediata e qual exame você solicitará na Urgência?
Criança com vômitos, prostração, dor abdominal, Kussmaul, poliúria → Suspeitar CAD. Conduta imediata: vias aéreas, oxigênio, glicemia capilar.
O quadro clínico de vômitos, prostração, dor abdominal, respiração de Kussmaul e poliúria em uma criança sugere fortemente cetoacidose diabética. A conduta inicial prioritária é garantir vias aéreas, oxigenação e verificar a glicemia capilar para confirmar a suspeita e iniciar o tratamento.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus tipo 1 (DM1), especialmente comum em crianças no primeiro diagnóstico ou em casos de manejo inadequado. É uma emergência pediátrica que requer reconhecimento e tratamento imediatos. O quadro clínico clássico envolve poliúria, polidipsia, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal, prostração e desidratação. A respiração de Kussmaul, uma respiração profunda e rápida, é um sinal distintivo da CAD, indicando acidose metabólica compensatória. A dor abdominal pode ser intensa e mimetizar um abdome agudo cirúrgico. A leucocitose com desvio à esquerda é um achado laboratorial comum na CAD, mesmo na ausência de infecção, devido ao estresse fisiológico. A conduta imediata no pronto-socorro deve focar na estabilização do paciente: garantir vias aéreas pérvias, oxigenação e estabelecer um acesso venoso. O exame mais urgente e fundamental para confirmar a suspeita é a glicemia capilar. Após a confirmação, o tratamento envolve hidratação intravenosa cautelosa e insulinoterapia, com monitoramento rigoroso de eletrólitos e estado ácido-base para prevenir complicações como edema cerebral.
Os sinais e sintomas incluem poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, vômitos, dor abdominal, prostração, desidratação e a característica respiração de Kussmaul.
A glicemia capilar é crucial porque a hiperglicemia é o pilar diagnóstico da cetoacidose diabética e sua rápida confirmação permite iniciar o tratamento adequado, que inclui hidratação e insulinoterapia.
A leucocitose com desvio à esquerda é comum na cetoacidose diabética, mesmo sem infecção, devido ao estresse metabólico e à liberação de catecolaminas. No entanto, a presença de infecção como gatilho deve ser sempre investigada.
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