Cetoacidose Diabética Pediátrica: Manejo da Glicemia

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menina, 6 anos de idade, com antecedente de Diabetes Mellitus tipo 1, em uso regular de insulina NPH, foi admitida no serviço de emergência há 2 horas, devido a quadro de vômitos e dor abdominal há 3 dias. Os exames coletados e as medidas realizadas na sala de emergência estão descritos na tabela abaixo. Ao exame, paciente encontra-se em regular estado geral, mucosas secas, FC: 115bpm, frequência respiratória de 35 ipm, PA 90/50 mmHg, tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Queixa-se apenas de fraqueza. Dentre as medidas a serem realizadas na terceira hora, inclui-se:

Alternativas

  1. A) Suspender insulinoterapia.
  2. B) Introduzir dieta pobre em potássio.
  3. C) Adicionar glicose à fluidoterapia.
  4. D) Adicionar bicarbonato à fluidoterapia.

Pérola Clínica

CAD pediátrica: adicionar glicose à fluidoterapia quando glicemia < 250-300 mg/dL para evitar hipoglicemia e edema cerebral.

Resumo-Chave

Na cetoacidose diabética pediátrica, a adição de glicose à fluidoterapia é essencial quando a glicemia atinge níveis entre 250-300 mg/dL. Isso permite a continuação da insulinoterapia para resolver a acidose metabólica, enquanto previne a hipoglicemia e a queda rápida da osmolaridade, que pode levar a edema cerebral.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do Diabetes Mellitus tipo 1, especialmente em crianças. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, resultantes da deficiência absoluta ou relativa de insulina. O manejo adequado na emergência é crucial para prevenir complicações graves como o edema cerebral, que é a principal causa de morbimortalidade na CAD pediátrica. O tratamento da CAD envolve fluidoterapia agressiva para corrigir a desidratação, insulinoterapia para reverter a cetoacidose e correção de eletrólitos. A fluidoterapia inicial visa restaurar o volume intravascular, seguida por fluidos de manutenção. A insulina é administrada por via intravenosa em infusão contínua. Um ponto crítico no manejo é a adição de glicose à fluidoterapia. Quando a glicemia do paciente atinge níveis de 250-300 mg/dL, a glicose deve ser adicionada aos fluidos intravenosos. Isso permite que a infusão de insulina continue na mesma taxa para resolver a cetoacidose (que leva mais tempo para se reverter do que a hiperglicemia), enquanto se evita a hipoglicemia e uma queda muito rápida da osmolaridade plasmática, que poderia precipitar o edema cerebral. A monitorização rigorosa da glicemia, eletrólitos e estado neurológico é fundamental durante todo o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quando a glicose deve ser adicionada à fluidoterapia na cetoacidose diabética pediátrica?

A glicose deve ser adicionada à fluidoterapia quando a glicemia do paciente atingir valores entre 250-300 mg/dL, geralmente na segunda ou terceira hora de tratamento, para prevenir hipoglicemia.

Por que é importante continuar a insulinoterapia mesmo após a glicemia baixar na CAD?

A insulinoterapia é crucial para reverter a cetoacidose, não apenas para baixar a glicemia. A interrupção precoce da insulina pode impedir a resolução da acidose metabólica, mesmo com glicemia normalizada.

Quais são os riscos de uma queda muito rápida da glicemia na CAD pediátrica?

Uma queda muito rápida da glicemia pode levar a uma diminuição abrupta da osmolaridade plasmática, aumentando o risco de edema cerebral, uma complicação grave e potencialmente fatal da cetoacidose diabética em crianças.

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