HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025
Paciente masculino, 25 anos, com diagnóstico de DM1 há 10 anos, é admitido no pronto-socorro com quadro de náuseas, vômitos, dor abdominal e polidipsia há dois dias. Ao exame físico, apresenta desidratação moderada, respiração de Kussmaul e hálito cetônico. Exames laboratoriais iniciais revelam: glicemia de 450 mg/dL, pH arterial de 7,1, bicarbonato sérico de 10 mEq/L, ânion gap de 20 mEq/L e potássio sérico de 3,0 mEq/L.Qual a conduta mais apropriada para este paciente?
CAD com K < 3.3 mEq/L → Repor potássio ANTES de iniciar insulina EV para evitar hipocalemia grave.
Na cetoacidose diabética, a hipocalemia é uma preocupação crítica. A insulina, ao mover glicose para dentro das células, também desloca potássio, podendo agravar uma hipocalemia preexistente e levar a arritmias fatais. Por isso, a reposição de potássio é prioritária se o nível sérico estiver baixo.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave e potencialmente fatal do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica com ânion gap elevado e cetonemia. Sua prevalência é significativa em emergências, sendo uma das principais causas de internação e mortalidade em pacientes diabéticos jovens. O reconhecimento precoce dos sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal, polidipsia e a presença de respiração de Kussmaul e hálito cetônico são cruciais para um manejo adequado. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à gliconeogênese e lipólise descontroladas. A quebra de ácidos graxos resulta na produção de corpos cetônicos, que causam a acidose metabólica. O diagnóstico é confirmado por glicemia > 250 mg/dL, pH < 7.3, bicarbonato < 18 mEq/L e cetonúria/cetonemia. A suspeita deve ser alta em pacientes diabéticos com sintomas gastrointestinais e alteração do estado mental. O tratamento da CAD envolve reposição volêmica agressiva com solução salina isotônica, insulinoterapia intravenosa e reposição eletrolítica, especialmente de potássio. É fundamental monitorar o potássio sérico e iniciar sua reposição antes da insulina se os níveis estiverem abaixo de 3.3 mEq/L para evitar arritmias. O bicarbonato é raramente indicado. O prognóstico é bom com tratamento precoce e adequado, mas complicações como edema cerebral podem ocorrer, principalmente em crianças.
A cetoacidose diabética (CAD) manifesta-se com polidipsia, poliúria, náuseas, vômitos, dor abdominal, desidratação, respiração de Kussmaul e hálito cetônico.
A insulina promove a entrada de potássio nas células, podendo agravar a hipocalemia preexistente na CAD. Repor potássio antes de iniciar a insulina (se K < 3.3 mEq/L) previne arritmias cardíacas graves.
O bicarbonato de sódio geralmente não é recomendado na CAD, exceto em casos de acidose muito grave (pH < 6.9 ou 7.0) com instabilidade hemodinâmica, devido aos riscos de hipocalemia e edema cerebral.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo