UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020
Paciente, 18 anos, é trazida ao Serviço de Emergência do HUAP/UFF com náuseas e vômitos, dor abdominal difusa de moderada intensidade e taquipneia. Relata ainda, no último mês, poliúria e polidipsia. Ao exame físico, hipohidratada (2+/4+), com hálito cetônico, respiração de Kussmaul, PA = 88x56mmHg, FC = 115bpm, dor abdominal difusa sem sinais de irritação peritoneal. Sobre o tratamento dessa paciente é correto afirmar que:
Cetoacidose Diabética (CAD) com hipovolemia → Hidratação venosa agressiva com SF 0,9% é a prioridade inicial.
A paciente apresenta sinais clássicos de cetoacidose diabética (CAD) com desidratação e choque (hipotensão, taquicardia). A prioridade no tratamento da CAD é a reposição volêmica com solução salina isotônica (0,9%), antes mesmo da insulina, para restaurar a perfusão e corrigir a hipovolemia.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É precipitada por deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando a um estado catabólico intenso. Os sintomas incluem poliúria, polidipsia, náuseas, vômitos, dor abdominal e respiração de Kussmaul. O manejo da CAD é uma emergência médica e segue uma sequência de prioridades. A primeira e mais crítica etapa é a reposição volêmica agressiva com solução salina isotônica (0,9% NaCl) para corrigir a desidratação e restaurar a perfusão. Isso é fundamental antes da administração de insulina, especialmente em pacientes hipotensos. Após a hidratação inicial, a insulina venosa é iniciada para reverter a cetogênese e reduzir a glicemia. A reposição de potássio é crucial, pois a hipocalemia é uma complicação comum e potencialmente fatal. O bicarbonato é reservado para casos de acidose muito grave (pH <6,9 ou 7,0) e sua administração é controversa. A monitorização contínua de eletrólitos, glicemia e pH é essencial para guiar o tratamento.
Os critérios incluem hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3, bicarbonato <18 mEq/L) e cetonemia/cetonúria.
Pacientes com CAD estão gravemente desidratados devido à diurese osmótica. A hidratação restaura o volume intravascular, melhora a perfusão tecidual, reduz a glicemia e a cetogênese, e ajuda a corrigir a acidose.
A reposição de potássio deve ser iniciada se o potássio sérico estiver normal ou baixo, mesmo antes da insulina, ou assim que a insulina for iniciada, pois a insulina move o potássio para o intracelular, podendo causar hipocalemia grave.
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