Cetoacidose Diabética: Manejo Inicial e Erros Comuns

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 25 anos, masculino, previamente hígido, foi levado ao pronto-socorro com quadro de dor abdominal e vômitos há 8 horas. Refere polidipsia e poliúria nos últimos dias. Nega febre ou outras alterações. Exame físico: desidratado, FC = 120 bpm, PA =100\60 mmHg, FR = 32 ipm, Sat O2 = 96%, Abdome sem irritação peritoneal. Laboratório: urina com cetonúria, pH = 7,18, HCO3 = 12, PCO2 = 20, Glicemia capilar > 500. Sobre o quadro clínico marque a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) Um possível quadro de cetoacidose diabética, sendo a principal medida na primeira hora a hidratação vigorosa (20 ml\ hg);
  2. B) É comum encontrar nesses pacientes os seguintes achados: hipocalemia, rítmo respiratório de Kussmaul, Ânion-gap elevado e dor abdominal;
  3. C) Os dois principais fatores desencadeantes desse quadro são: infecções e não adesão ao tratamento regular;
  4. D) Para esse paciente deve ser iniciado imediatamente: SF0,9% 1000 ml + insulinoterapia venosa + Bicarbonato de sódio 8,4% 50 mEc para correção da acidose.

Pérola Clínica

CAD: hidratação vigorosa (SF 0,9%), insulinoterapia venosa. Bicarbonato SÓ se pH < 6.9 ou hipercalemia grave.

Resumo-Chave

O tratamento da cetoacidose diabética (CAD) foca na hidratação vigorosa com soro fisiológico 0,9% e insulinoterapia venosa contínua. A correção da acidose ocorre gradualmente com a resolução da cetoacidose. O uso de bicarbonato de sódio é restrito a casos de acidose muito grave (pH < 6.9) ou hipercalemia ameaçadora à vida, pois seu uso rotineiro pode trazer mais riscos do que benefícios.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir morbidade e mortalidade significativas. Residentes devem estar aptos a diagnosticar e iniciar o manejo adequado da CAD. O quadro clínico da CAD inclui sintomas de hiperglicemia (poliúria, polidipsia), desidratação, dor abdominal, náuseas, vômitos e respiração de Kussmaul. O diagnóstico laboratorial é confirmado por hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7.3, bicarbonato < 18 mEq/L) e cetonemia/cetonúria. Fatores desencadeantes comuns são infecções e má adesão à insulinoterapia. O tratamento da CAD baseia-se em três pilares: hidratação vigorosa com soro fisiológico 0,9% para restaurar o volume intravascular e a perfusão renal, insulinoterapia venosa contínua para suprimir a cetogênese e reduzir a glicemia, e reposição de eletrólitos, especialmente potássio. A administração de bicarbonato de sódio é controversa e geralmente não recomendada, exceto em casos de acidose extremamente grave (pH < 6.9) ou hipercalemia refratária, devido aos riscos de hipocalemia e acidose paradoxal do SNC. Monitoramento contínuo de glicemia, eletrólitos e gasometria é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento inicial da cetoacidose diabética (CAD)?

Os pilares do tratamento inicial da CAD são a hidratação vigorosa com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão renal, e a insulinoterapia venosa contínua para inibir a cetogênese e promover a captação de glicose.

Quando o bicarbonato de sódio é indicado no tratamento da CAD?

O bicarbonato de sódio não é recomendado rotineiramente na CAD. Sua indicação é restrita a casos de acidose metabólica muito grave (pH < 6.9) ou em situações de hipercalemia ameaçadora à vida, para evitar complicações como hipocalemia e acidose paradoxal do SNC.

Quais são os fatores desencadeantes mais comuns da cetoacidose diabética?

Os dois principais fatores desencadeantes da CAD são infecções (como pneumonia, infecção urinária) e a não adesão ao tratamento com insulina. Outras causas incluem infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, pancreatite e uso de certos medicamentos.

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