Cetoacidose Diabética: Manejo Inicial e Eletrólitos Essenciais

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020

Enunciado

Paciente feminina de 17 anos, diabética tipo 1, sem reclamações prévias, deu entrada no hospital com queixas de dor abdominal após 2 dias sem uso regular da insulina. Apresentava PA 120 x 80 mmHg, FC 110 bpm, FR 30 irpm, SatO2 99% em ar ambiente. Além da infusão volêmica inicial, quais das medidas iniciais a seguir é a mais importante para os próximos passos do tratamento?

Alternativas

  1. A) Coleta de gasometria arterial.
  2. B) Coleta de hemocultura e urocultura.
  3. C) Dosagem de sódio e potássio.
  4. D) Passagem de cateter venoso central.
  5. E) Início imediato de insulinoterapia intravenosa contínua.

Pérola Clínica

CAD: antes da insulina, avaliar potássio para evitar hipocalemia fatal.

Resumo-Chave

Em pacientes com cetoacidose diabética (CAD), a reposição volêmica é a primeira medida. No entanto, antes de iniciar a insulinoterapia, é crucial dosar o potássio sérico. A insulina leva o potássio para o intracelular, podendo precipitar uma hipocalemia grave se os níveis já estiverem baixos ou normais-baixos, com risco de arritmias cardíacas.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir morbidade e mortalidade significativas. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando ao aumento da lipólise e produção de corpos cetônicos, além de gliconeogênese e glicogenólise hepática. O diagnóstico da CAD é clínico e laboratorial, com critérios bem definidos de glicemia > 250 mg/dL, pH arterial < 7.3, bicarbonato sérico < 18 mEq/L e cetonas positivas na urina ou soro. A suspeita deve surgir em pacientes diabéticos com sintomas como dor abdominal, náuseas, vômitos, poliúria, polidipsia e alteração do nível de consciência. O manejo inicial é crucial e envolve a reposição volêmica agressiva para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão tecidual. Após a hidratação inicial, a correção dos distúrbios eletrolíticos, principalmente o potássio, é fundamental antes de iniciar a insulinoterapia. A insulina, ao promover a entrada de glicose nas células, também leva o potássio para o intracelular, podendo agravar uma hipocalemia preexistente. O prognóstico da CAD é geralmente bom com tratamento adequado, mas complicações como edema cerebral (especialmente em crianças) e hipocalemia grave podem ocorrer se o manejo não for rigoroso.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da cetoacidose diabética?

A CAD manifesta-se com hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, acompanhada de sintomas como poliúria, polidipsia, náuseas, vômitos, dor abdominal e respiração de Kussmaul.

Por que a dosagem de potássio é crucial antes da insulinoterapia na CAD?

A insulina promove o influxo de potássio para o interior das células. Se o potássio sérico já estiver baixo ou normal-baixo, a insulinoterapia pode precipitar uma hipocalemia grave, com risco de arritmias cardíacas.

Qual a conduta inicial na cetoacidose diabética?

A conduta inicial envolve hidratação vigorosa com solução salina isotônica, seguida pela correção dos distúrbios eletrolíticos (especialmente potássio) e, então, o início da insulinoterapia intravenosa contínua.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo